Sem infra-estrutura, parques deixam de receber visitantes
Maigue Gueths
Por não terem infra-estrutura, os parques nacionais brasileiros deixam de receber, anualmente, milhões de turistas, cuja presença iria contribuir para incrementar o emprego nestas regiões, além de aumentar a arrecadação financeira das áreas de preservação, tornando-as auto-sustentáveis com o tempo. O Brasil tem mais de 30 parques nacionais e não recebe um milhão de turistas por ano, diz a bióloga Keylah Tavares da Sociedade Brasileira para a Valorização do Meio Ambiente (Biosfera), entidade que promove, em Curitiba, o 5ª Congresso e Exposição Internacional sobre Florestas. O evento reúne 1.500 pessoas de 15 países e discute, entre outros temas, a preservação sustentável das florestas brasileiras.
A única área de preservação no Brasil que garante retorno financeiro é o Parque Nacional do Iguaçu, no Oeste do Paraná. O Parque da Tijuca, no Rio de Janeiro, começa a explorar só agora seus atributos. Única floresta urbana do mundo, tombada desde 1982 pelo Patrimônio da Unesco - Reserva da Biosfera, o parque não cobrava ingresso dos visitantes, o que passa a fazer a partir do próximo mês. Uma comparação do Brasil com outro país da América Latina, a Costa Rica, mostra que este País, apesar de 120 vezes menor do que o Brasil, arrecada US$ 8 bilhões por ano como o ecoturismo em áreas de preservação, cerca de 20 vezes mais do que o Brasil.
Keylah lembra que o Brasil começou a despertar para o ecoturismo apenas na década de 80. Ele ainda é novo, não tem nem dez anos neste filão. Para incrementar o turismo ecológico em áreas de preservação, para ela, é necessário em primeiro lugar que se criem programas ambientais com diretrizes voltadas ao aumento das atividades nestas áreas. Também faltam planejamento, infra-estrutura, treinamento de profissionais especializados e fiscalização, ou seja, faltam recursos para se fazer tudo isto, diz.
O coordenador geral do evento e presidente da Biosfera, Dorival Correia Bruni, acha que seria necessário investir US$ 10 bilhões em cinco anos para que fossem adaptados parques para o recebimento de turistas. Ele calcula que o retorno, em igual período, ficaria em US$ 20 a 25 bilhões. Uma pequena solução para minimizar a falta de recursos começa a ser utilizada nos parques, com a terceirização de serviços prestados nas áreas.
Segundo a Biosfera, há todo tipo de problema de infra-estrutura nos parques. Um deles é a falta de sinalização adequada nas trilhas e a falta de capacitação dos profissionais que trabalham nas áreas.





