Sem iluminação, praças ficam abandonadas
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quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O administrador de empresas Renato Cesar Silveira lembra com saudade dos tempos em que o time do bairro costumava jogar peladas no campinho de futebol da Praça Anísio Figueiredo, no Jardim San Remo (Zona Oeste). Hoje, passados os tempos da adolescência, Silveira lamenta o abandono do local, que um dia serviu de ponto de encontro entre os moradores dos jardins Alvorada e San Remo. Há pelo menos dois anos a fiação elétrica foi furtada e desde então nunca foi restaurada. A praça está no escuro. Segundo a prefeitura, pelo menos 15 praças estão sem iluminação por causa de furtos.
''Na minha infância, brincávamos até altas horas nesta praça. Hoje, para entrar aqui, à noite, é impossível. Policiamento no lugar não existe e sou obrigado a pagar um guarda para ter um pouco de segurança'', declara o morador, que retornou ao bairro há três anos.
Conforme Silveira, a roçagem do mato acontece a cada seis meses, ''quando está muito alto e não tem mais jeito''. Uma vizinha que mora em frente à praça há 16 anos, mas prefere não se identificar, conta que durante um assalto os bandidos chegaram a esconder os produtos do roubo atrás de uma moita, de tão alto que estava o mato.
Durante o dia, alguns moradores ainda caminham ao redor da praça. ''Eventualmente as crianças brincam nos fins de semana'', assinala Silveira, ressaltando que à noite o breu faz com que os moradores prefiram ficar em casa, até mesmo em jornadas mais quentes. ''Grupos de três, quatro pessoas, normalmente em motos, costumam parar perto dos bancos de concreto para beber e até consumir drogas. O local também é usado pelos casais como motel'', aponta Silveira. Prova disso são as latinhas de cerveja e garrafas de refrigerante, além de embalagens de preservativos e maços de cigarro deixados ao redor dos bancos.
Outra praça da Zona Oeste também sofre dos mesmos problemas. Desde novembro do ano passado, quando a fiação elétrica foi roubada, a Praça José Pegoraro, que fica na Rua Nevada, no Jardim Quebec, virou refúgio de mendigos e usuários de drogas.
Sem luz, os moradores ficaram com medo de frequentar o local e até contrataram um segurança particular para fazer a ronda noturna. ''A gente tinha o celular dele e quando chegava muito tarde da noite, a gente ligava e ele ficava parado no portão esperando a gente entrar em casa'', diz Wanderson Lesniewski da Silveira, que se mudou há apenas três semanas, mas morou no bairro nos últimos quatro anos.
Silveira conta que o espaço onde hoje fica a praça sempre foi destinado para a recreação dos moradores, ''desde quando o bairro foi criado''. ''Meus sogros moram aqui desde 1971 e criaram os filhos nesta praça. As crianças costumavam brincar e os vizinhos até plantavam árvores frutíferas no local'', afirma.
''Com a escuridão começaram os assaltos. No ano passado, pelo menos oito carros foram arrombados para levar os rádios'', assinala Silveira, ressaltando que os bandidos costumam usar um terreno baldio que fica ao lado da praça para se esconder e também guardar os produtos dos furtos. ''Vira e mexe alguém tem que ligar para pedir que cortem o mato da praça'', confessa o morador.


