Quem acionou o plantão do Conselho Tutelar de Londrina ontem ficou sem atendimento. Por causa da determinação da Secretaria Municipal de Gestão Pública de estabelecer uma cota de combustível de apenas 20 litros por semana, o veículo baseado na Zona Sul, que esta semana atende os chamados, ficou sem gasolina. A medida foi tomada por razões de economia.
De acordo com o vice-presidente do Conselho Tutelar da Zona Sul, Luiz Bárbara, em razão do tanque vazio deixaram de ser atendidas pelo menos três ocorrências urgentes até o meio da tarde de ontem. Na média, os conselheiros são acionados 16 vezes por dia. O problema se torna ainda mais grave porque está semana é justamente o Conselho da Zona Sul que está cumprindo o plantão de atendimento externo.
Por semana, segundo Bárbara, são utilizados cerca de 120 litros de gasolina para atender a Zona Sul e mais os distritos rurais. ''O atendimento não está sendo feito. Como também limitaram a permissão para utilização de táxi, provavelmente não vamos poder prestar atendimento à noite nem durante o final de semana'', afirmou o conselheiro tutelar. No início da tarde, ele protocolou um ofício na secretaria pleiteando que os veículos usados pelos três conselhos tutelares fiquem de fora do cumprimento da cota de combustível.
Além do problema ocorrido na Zona Sul, o carro que serve ao Conselho Tutelar da Área Central está em manutenção e fora de circulação há uma semana. Na Zona Norte, a presidente do órgão, Edeni Ramos Vilela, apontou que não enfrenta este tipo de problema mas considerou que a situação que atinge as demais unidades é bastante grave. ''Isso é um absurdo porque podemos ter uma criança trancada em casa ou vítima de algum outro tipo de violência sem atendimento'', comentou. Ela lembrou que Londrina corre o risco de deixar de receber repasses de verbas federais por conta das deficiências no Conselho Tutelar.
O secretário municipal de gestão, Jacks Dias, argumentou que a cota de combustível foi determinada na tentativa de reduzir o custeio da máquina pública em 30%. ''Resolvemos fazer isso para verificar como está sendo gasto o combustível em Londrina. Soltamos a circular para que possamos fechar nossas contas até o final do ano'', afirmou. Dias assegurou, entretanto, que a orientação é que cada secretaria priorize o que é essencial. Segundo o secretário, a frota de veículos do Município consome cerca de um milhão de litros de combustível por ano, o que gera um gasto entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões.

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