Curitiba - O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, corre o risco de fechar setores essenciais por falta de funcionários. A direção do HC calcula um déficit de 180 profissionais, entre médicos e enfermeiros, para completar as escalas de atendimento às Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Neonatal, Pediátrica e de Adultos, Centro Obstétrico, além do Pronto-Atendimento infantil e de adultos.
O diretor-geral do HC, Giovanni Loddo, confirmou que entregou ontem um dossiê relatando a situação do hospital para a procuradora da República Antônia Lélia Neves Sanches Krueger. Ele admitiu já ter esgotado todas as instâncias administrativas possíveis de recorrer e, por isso, resolveu apelar para que Ministério Público Federal ajude a direção do hospital achar uma solução emergencial para o problema até que saia o concurso público para contratação de pessoal. O diretor de serviços médicos, Duilton De Paola, e o diretor clínico, Edison Novak, também acompanharam a reunião.
De acordo com Loddo, até agora, os setores têm se mantido em funcionamento graças à boa vontade dos funcionários que se dispõem a dobrar plantões e escalas. No entanto, a situação se tornou insustentável, pois os poucos profissionais já não estão dando conta do recado. ‘‘Os profissionais já não aceitam mais fazer tantas horas extras ou cobrir plantões em aberto’’, afirmou.
Loddo relatou à procuradora que algumas UTIs contam apenas com um médico residente para cobrir o plantão noturno. A UTI de cirurgia cardíaca, informou, já foi fechada por falta de enfermeiros. Outras unidades podem fechar a qualquer momento.
A assessoria de imprensa do Ministério Público Federal informou que a procuradora Antônia Lélia anunciou ainda ontem que, diante do caos instalado no HC, irá propor medida judicial, visando a garantia do atendimento à população pelo poder público, aí incluído a Prefeitura de Curitiba, como gestor do Sistema Único de Saúde (SUS).
O Hospital de Clínicas atende em média 2 mil pessoas diariamente. Segundo Loddo, no pronto-atendimento são 300 pessoas que deixarão de ser atendidas e, pelo menos outros 80 leitos de UTIs ficarão vazios.

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