SEM FRONTEIRAS - Projeto leva leitura a doentes e presos
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Paranavaí - Muitas pessoas têm o interesse de se dedicar à leitura, mas por questões de saúde, por exemplo, acabam tendo acesso restrito aos livros. Pensando nisso, a equipe da Biblioteca Municipal Julia Wanderley, de Paranavaí (Noroeste), desenvolve há um ano o projeto ''Leitura sem Fronteiras''. ''O projeto tem o objetivo de levar a leitura às pessoas impossibilitadas de ir à Biblioteca, como doentes e detentos'', conta Ilca Teresinha Zicka, coordenadora da proposta.
Mantido através de doações da comunidade, o projeto recebe cerca de 500 publicações, entre livros e revistas por mês. ''Embora seja recente, podemos avaliar que a aceitação entre as pessoas tem sido grande'', comenta Ilca.
Entre os beneficiados pelo projeto, estão detentos da Delegacia de Polícia Civil, pacientes da Santa Casa e do Centro de Orientação de Apoio Sorológico (Coas). Ilca explica que para cada público é selecionado um tipo de literatura. ''Na Santa Casa há crianças e nós procuramos levar revistas e livros infantis e até lápis de cor'', lembra Ilca, informado que material de apoio é comprado com ajuda de empresários da cidade.
O ''Leitura sem Fronteiras'' tem agradado também os seus usuários, que desenvolvem cada vez mais os hábito de ler. ''Entre os detentos deixamos apostilas, porque eles pedem para estudar. Na Santa Casa já estão montando uma biblioteca com as publicações arrecadas pelo projeto'' revela Ilca.
Segundo ela, a ideia é ampliar cada vez mais o público atendido, levando inclusive para os usuários do transporte público. ''Só estamos esperando a confecção de sacolinhas para colocarmos as publicações nos veículos'', explica.
Confiança
Na Santa Casa, o projeto atende a ala da pediatria. Desenvolver a leitura entre as crianças ajuda também a estimular a comunicação com os médicos e enfermeiros. ''A criança, muitas vezes, tem dificuldade de expressar o que sente, mas a partir da leitura e de brincadeiras ela sente mais confiança'', explica a psicóloga Fernanda Schulz, responsável pelo projeto no hospital, juntamente com a assistente social Andreza Campos.
Ainda segundo a psicóloga, levar às crianças histórias em que se identificam com os personagens faz com que elas lidem melhor com os problemas. ''Com as brincadeiras, a criança sente a liberdade para expor seus medos e suas dúvidas sobre os tratamento'', afirma.
Outro motivo que aumenta a importância do projeto na Santa Casa é a recuperação dos pequenos pacientes. ''Melhora o emocional da criança e, com isso, há uma expectativa de reduzir o tempo de hospitalização'', argumenta Fernanda.
Com o projeto de leitura, a equipe do hospital identificou a necessidade de criar mais métodos visando o bem-estar das crianças. ''A partir do Leitura sem Fronteiras, nós desenvolvemos um teatro de fantoches e em breve teremos uma biblioteca na nova ala de pediatria'', comenta a psicóloga.
Serviço - Doações para a Biblioteca Municipal Julia Wanderley podem ser feitas na Rua Guaporé, 2.080, Praça Rodrigo Ayres. fone (44) 3902-1019.


