Uma gravidez não planejada aos 18 anos afastou Angélica Rodrigues de Oliveira do seu sonho de se tornar advogada ou arquiteta. Mãe solteira, ela conta que parou de estudar na 8 série para garantir o sustento de seu filho Wilhiam. ''Eu morava em São Paulo e trabalhava com pesca profissional durante o dia e estudava à noite. Logo que o meu filho nasceu eu me mudei com minha mãe para Londrina e atualmente trabalho na colheita de café'', relata.
Ela diz que fica difícil estudar à noite por causa do filho. ''Durante o dia ele fica na casa da minha mãe e à noite eu tomo conta dele. Além disso, fico muito cansada no final do dia, pois moro na Zona Norte e tenho que caminhar durante duas horas até chegar às fazendas de café da Zona Leste, onde trabalho'', conta Angélica, que ganha cerca de R$ 800 por mês.
Apesar das dificuldades, ela diz que pretende retornar às salas de aula o mais breve possível. ''Enquanto não volto para os estudos, gosto de desenhar e escrever poesias para desabafar'', revela.
Dificuldades financeiras enfrentadas pela família também tiraram temporariamente das salas de aula um adolescente de 15 anos. Morador da Zona Leste, ele abandonou os estudos na 5 série para ajudar nas despesas. O pai, que trabalha como ajudante geral da construção civil, afirma que pretende ver o filho de volta às salas de aula em breve. ''Meu salário é pequeno, mas eu não queria que ele saísse do colégio. Sem estudo, a vida é muito dura.''
A evasão escolar não é exclusividade de alunos do Ensino Médio. Outro adolescente de 13 anos ainda não conseguiu conclui a 1 série do ensino fundamental. Segundo a mãe, o motivo foram as constantes mudanças da família. ''Meu marido trabalhava como frentista e frequentemente nos mudávamos de uma cidade para outra em questão de meses.''
Viúva há três anos, ela mora na Zona Leste e diz que está esperando a mudança para uma casa do programa Minha Casa, Minha Vida no Jardim Vista Bela (Zona Norte), para matricular o filho novamente. (M.R.)

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