Sem espaço, até os pacientes de UTI ficam nas enfermarias
StressO diretor-superintendente do HU de Londrina, Cláudio Camacho: Isso tudo é desgastante para todosApesar de todos os problemas insistentemente relatados pela imprensa nos últimos anos, a tão esperada reforma do Hospital Universitário de Londrina ainda não veio. E o hospital, do jeito que pode, continua funcionando: por ano, são aproximadamente 200 mil atendimentos, 11 mil internações, mais de sete mil cirurgias. Tudo realizado através do Sistema Único de Saúde (SUS), sem que o paciente - a maioria formada por carentes - desembolse um só tostão.
Os pacientes vêm de todos os cantos: mais de 200 municípios do interior do Paraná e também de outros estados, como São Paulo, Mato Grosso e até Acre, são atendidos pelo HU. Sem esquecer um detalhe: o Hospital Universitário é hospital-escola e ajuda na formação dos novos médicos formados pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Sem estrutura e com uma demanda cada vez maior, é difícil manter qualidade. O superintendente Cláudio Camacho lembra que as duas enfermarias do pronto-socorro, que deveriam ser destinadas a pacientes menos graves, em observação, acabam sendo ocupadas por pacientes graves, alguns que deveriam estar em UTIs. E muito dos pacientes que estão em observação, e precisam ficar até 72 horas no hospital, acabam acomodados nos corredores ou em cadeiras de roda.
A situação foge dos padrões mínimos: as duas enfermarias do pronto-socorro têm 12 e 14 leitos, respectivamente, e um só banheiro cada uma. Para manter a privacidade, às vezes os funcionários tem que improvisar espécies de tapumes para fazer a higiene de pacientes em estado mais grave. Descansar fica difícil.
As baixas já começaram a aparecer. Em julho do ano passado, o setor de hemodiálise foi fechado por falta de condições mínimas de atendimento. Seria irresponsabilidade tratar paciente sem segurança, diz o superintendente. Os 22 renais crônicos foram distribuídos pela Secretaria municipal de Saúde em outros hospitais da cidade e o HU está tentando conseguir, com recursos próprios, outro local no prédio para reativar o setor.
Outro problema, não menos sério, pode provocar outra baixa: a UTI de neonatal já chegou a ser fechada, no ano passado, por causa da superlotação. A situação tem sido constante: são sete leitos e o setor já chegou a abrigar 11 pacientes. Se o risco aumentar, talvez tenhamos que fechar o setor, lamenta Cláudio Camacho.
Ele acrescenta que, embora o controle de contaminação seja rigoroso, as condições físicas do hospital não ajudam. Mesmo porque a criança é mais vulnerável aos problemas de saúde. Isso tudo é bastante desgastante para todos. O stress é constante tanto para quem está na portaria, quanto para enfermeiros, médicos e direção, ressalta o superintendente, que diz estar fugindo das normas para não deixar de atender. É o caos, define. (L. H.)





