Sem esgoto, moradores temem doenças
Érika Pelegrino
De Londrina
A falta de rede de esgoto no trecho abaixo da linha férrea das ruas Amexeiras e 2, no Jardim Rosa Branca II (zona leste de Londrina), está causando preocupação entre os moradores. São mais de 100 casas, segundo a moradora Dair Helena Silva Gouvea, 43 anos, que estão com as fossas cheias ou nem mesmo têm espaço no terreno para cavar fossas.
A água da cozinha, tanque e banheiro é despejada diretamente na rua e vai sendo acumulada numa valeta no final da Rua 2. Quando a valeta está cheia a água invade a rua e até o quintal das casas próximas. As crianças não têm juízo e brincam no local dizendo que é um riozinho e que vão pescar, afirma a moradora Maria Antônia dos Santos, 35 anos, mãe de três crianças.
É o marido de Maria Antônia, o vigia Marcos Antônio dos Santos, 34 anos, quem limpa a valeta quando a situação está crítica. Ela já colocou uma placa de vende-se na sua casa. Não dá para continuar a morar aqui. O risco de doenças é muito grande e os órgãos competentes não tomam nenhuma providência, argumenta.
Dair Helena também tem três filhos e afirma que já cansou de pedir à Sanepar que implante a rede de esgoto. Mas nunca conseguimos. Só estou preocupada com o bem-estar da minha comunidade, afirma. Fico revoltada é em saber que em época de eleição estes políticos vêm aqui pedir voto, depois esquecem da gente, desabafa.
Na casa de Dair Helena, a fossa está cheia e a água do banheiro vai direto para o quintal. Para limpar a fossa cobram R$ 30,00. Eu ganho R$ 130,00 por mês e muitas vezes meus filhos vão dormir chorando de fome, porque não têm o que comer. Como vou pagar a limpeza da fossa? Para evitar o mau cheiro no quintal faz três dias que não damos descarga no banheiro. Está um nojo.
A situação de outra moradora da rua das Amexeiras, Creodonice Nilo de Souza, 39 anos, é ainda mais crítica. Doente, viúva e com três filhos adolescentes desempregados, ela não tem nenhuma renda e vive da doação de vizinhos. Na minha casa não tem espaço para fazer fossa, então nem usamos o banheiro. Fazemos as nossas necessidades em uma latinha e enterramos no quintal, conta.
O gerente da Sanepar da unidade de receita da Região Metropolitana de Londrina, Paulo Kishima, afirma que naquela região também há pedidos de implantação de esgoto nas ruas 5, 6 e 12. A Rua 2 é novidade para mim, afirma. Segundo ele, existem várias localidades de Londrina que precisam de esgoto. KIshima cita o Conjunto Lindóia (zona norte), Jardim Claudia (zona Sul) e o Conjunto Cafezal (zona Sul).
Só que precisamos de recursos e temos que priorizar os locais onde a concentração populacional é maior, explica. O Conjunto Rosa Branca II também será estudado, segundo ele, mas já advertiu que não será este ano. Precisamos fazer um levantamento, depois um projeto e em seguida sair em busca de recursos, justifica.
Estes recursos, de acordo com Paulo Kishima, são obtidos junto à Caixa Econômica Federal, capital estrangeiro e até mesmo através de parcerias com a iniciativa privada. Nos últimos dois anos, ele afirma que estão sendo investidos em esgoto R$ 35 milhões em Londrina. Atualmente mais de 60% da cidade tem rede de esgoto, segundo Paulo KIshima.
Com as obras que estão em andamento (Cinco Conjuntos, zonas leste e sul) devemos passar a atender 80%, garante. Infelizmente, não tem como atender a todos ao mesmo tempo, pois dependemos de recursos.





