Cerca de 75 alunos da Escola Estadual de Lerroville (distrito localizado na Zona Sul de Londrina) estão há três meses estudando no salão da paróquia. Segundo o diretor do colégio, João Armando Piedade, os adolescentes deveriam ter sido abrigados em três salas da Escola Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto no início do ano letivo, mas tiveram que esperar a conclusão da reforma. ''Disseram que esperaríamos apenas 30 dias, mas já estamos há meses aqui'', apontou. O aluguel do salão R$ 150,00 é pago pela Associação de Pais e Mestres (APM).
O ensino médio foi implantado em Lerroville em 2002, após um acordo entre o Município e o Estado. ''Agora há uma dualidade administrativa, o município empresta o prédio para o Estado, assim como em outras cidades o Estado empresta para o município'', explicou o chefe do Núcleo Regional de Ensino (NRE), Rony Alves. Desde então, o ensino médio passou a funcionar no período noturno. Porém, muitos pais protestaram porque queriam que os filhos continuassem a estudar durante o dia por causa da segurança. ''É perigoso para as meninas que, depois das 22 horas, têm de andar pelas estradas para chegar em casa'', relatou Piedade.
Para tentar amenizar a situação, no início de 2004, o Estado decidiu abrir três turmas no período matutino, já que a escola municipal ganharia sete novas salas com a reforma. ''Eles pediram para a gente não derrubar as salas de madeira para poderem usar. E, enquanto pudermos, vamos ajudá-los'', afirmou o diretor da escola municipal, Renilson Machado do Nascimento. Ele ressaltou que não foi dado prazo para a transferência. ''Só falamos que eles poderiam usar depois da reforma'', alegou.
Enquanto isso, os alunos se dividem entre as salas da catequese e o salão paroquial. ''A maior dificuldade é ter que transportar o quadro de um lado para outro'', lembrou Piedade. Além disso, a falta dos equipamentos audio-visuais também prejudicam as atividades. ''O salão é muito grande e precisaríamos de um quadro maior nas aulas de matemática para a professora dar exemplos'', contou a estudante Viviane Dantas dos Santos, de 14 anos. Mesmo com problemas, os adolescentes agradecem a oportunidade de estudar. ''A gente não pode reclamar, pelos menos temos este lugar'', disse o aluno Odinei Aparecido da Silva, de 15 anos.
Segundo Nascimento, o prazo inicial para a conclusão das obras era março, mas de acordo com a assessora de Planejamento da Secretaria Municipal de Educação, Mirin Batista, foi estipulada uma nova data para a entrega das obras que vence amanhã. ''Eles ficaram de colocar os quadros no sábado e no domingo. Depois só falta a prefeitura liberar o local'', disse Nascimento. O diretor acredita que, no máximo, até o final da próxima semana as crianças já estejam nas novas salas e desocupem as de madeira para os alunos do ensino médio.
Mesmo assim, o diretor do colégio estadual lembra que a construção de um prédio próprio é necessária. ''Este ano saem 100 alunos do ensino fundamental e só tenho 40 vagas no período matutino. Os outros vão ter que estudar à noite ou em Tamarana (62 km ao sul de Londrina)'', declarou Piedade. Segundo o diretor do NRE, já existe um terreno comprado para isto, mas o Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) não alocou a verba. ''Até o final do ano a obra deve ser iniciada'', garantiu Alves.

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