Sem-emprego pedem abono de tarifas
Na agência do Sempre em Curitiba, a principal reivindicação de quem procurava emprego ontem era a suspensão temporária da cobrança de tarifas públicas (água, luz, telefone) e do pagamento das prestações da casa própria. Depois de 30 dias sem encontrar emprego, o ex-soldador Jairo Veiga disse que decidiu utilizar o seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para reduzir o valor da prestação da casa própria. Investi 10 anos de trabalho para baixar a prestação de R$ 602 para R$ 240, mas como ainda faltam 92 pagamentos, não sei como vou fazer.
O ex-bancário Carlos (ele prefere não se identificar) reclama que, desde que foi demitido, vem amargando a falta de dinheiro para pagar suas despesas. Depois de ocupar cargo de chefia em uma agência bancária e de pagar em dia por 15 anos a prestação da casa própria, Carlos diz que corre o risco de perder tudo.
Embora tenha quitado a casa própria há dois meses, o motorista de ônibus Cleonir Becker também está preocupado com as contas e, principalmente, com o sustento dos quatro filhos. Estou sem emprego há quatro meses, diz.
Mauro FrassonSem reservaJairo Veiga, soldador: usando o FGTS para conseguir pagar a casaA Central Única dos Trabalhadores (CUT) vem trabalhando por uma política social para os desempregados, mas sem sucesso. Queríamos que todos os trabalhadores incluídos como desempregados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) deixassem de ter as tarifas públicas e a prestação da casa própria cobradas, até que conseguissem um novo emprego, disse a coordenadora da Federação dos Bancários, Marise Stédile.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) Daniel Passos, a proposta é interessante pois evita que serviços básicos não deixem de ser oferecidos. Segundo Passos, o governo federal poderia optar pela suspensão dos pagamentos das tarifas ao invés de oferecer mais três parcelas do seguro-desemprego, cada uma no valor de R$ 100. As pessoas só deixam de pagar suas contas quando estão desempregadas, disse.





