Sem emprego e sem endereço
A infraestrutura no terreno invadido do Centro de Apoio aos Pacientes com Câncer (CAPC) é precária. Os barracos não têm água encanada e a energia elétrica é proveniente de um "gato". Dois banheiros foram construídos para atender as pessoas que moram ali. Os barracos são pequenos e abafados. A dona de casa Valquíria Aparecida Silva, de 33 anos, grávida de três meses, teve complicações por causa do esforço de buscar água em uma fonte próxima do terreno. "Não sabia que estava grávida e fiquei levantando muito peso. Quase perdi meu bebê", contou.
Ela mora com o marido Jeferson Luiz Cordeiro, de 33, pedreiro, e mais quatro filhos. A família mudou para a invasão depois de serem despejados da casa que alugavam. Cordeiro está desempregado há três meses. A falta de um endereço fixo tem dificultado para ele conseguir um emprego.
A família está sobrevivendo com o pouco mais de R$ 100 que recebe do programa Bolsa Família e de doações. O sonho de Valquíria é que o bebê que está a caminho possa nascer na casa própria. "A gente não quer pegar nada de ninguém, só queremos uma moradia para nossos filhos", disse a dona de casa.
O pedreiro se emocionou ao falar das dificuldades de sustentar a mulher e os filhos. "Começo a ficar desesperado. Quem tem um filho sabe bem como é isso", disse, com lágrimas nos olhos. Valquíria espera sair logo da invasão para que "possa ter um endereço fixo para o marido conseguir um emprego".(A.M.P.)





