Londrina

Paulo WolfgangCompra difícilÉlder Sene mostra: poucas são as lojas do centro da Cidade com acesso facilitado para deficientesSair de casa e andar pela Cidade sozinho de cadeira de rodas não é nada fácil. Voltar, então, pode ser considerado um ato de heroísmo. Um passeio rápido pelo Calçadão, onde se concentram comércio e serviços, já é suficiente para comprovar essa afirmação. Num trajeto mais longo - porém sem sair dos trechos mais movimentados das principais ruas centrais - é possível encontrar vários obstáculos que se repetem a cada quadra, por todo o Centro, por toda a Cidade.
Lojas e bancos sem rampas de acesso; orelhões, caixas eletrônicos e guichês bancários muito altos; calçadas com lombadas e/ou esburacadas; grades para escoamento de água no chão; esquinas sem rebaixamento no meio-fio e indisponibilidade das vagas de estacionamento para veículos de deficientes. Tudo isso está entre as principais dificuldades encontradas - barreiras que uma pessoa normal só percebe quando acompanha um deficiente físico dependente da cadeira de rodas.
A equipe da Folha fez um desses passeios pelo centro, acompanhando o presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Élder Sene, e seu tio, Sebastião Benedito Sene, que desenvolve um trabalho de assistencialismo na entidade. ‘‘Uma pessoa de cadeira de rodas que consegue sair de casa sozinha já é grande coisa. Se conseguir voltar, dou meus parabéns’’, diz Élder, que é paraplégico e tem força reduzida nos braços - sequelas da poliomielite.
Paulo WolfgangOrelhão inatingívelLigação de telefone público é tarefa impossível na maioria das vezes: aparelho muito alto
Os obstáculos começam logo na saída da sala da Adefil, em um prédio localizado no Calçadão. O degrau formado entre o piso do corredor e o elevador é a primeira dificuldade para quem está numa cadeira de rodas. Outro problema nos elevadores - principalmente os de prédios mais novos - é o espaço reduzido. ‘‘As cadeiras mais baratas, única saída para muitos deficientes, são enormes e não entram nos elevadores’’, diz Élder. Mais compacta e uma das mais caras, a cadeira usada por Élder, segundo ele, custa cerca de R$ 1 mil. A cadeira mais barata encontrada no mercado, segundo Élder, deve estar custando cerca de R$ 300,00.
‘‘Mas, com as condições das calçadas em Londrina, essas cadeiras não duram seis meses’’, diz Sebastião, que faz o transporte dos deficientes para clínicas médicas e odontológicas diariamente. ‘‘Isso se for uma pessoa de pouco peso.’’ A falta das rampas de acesso por toda parte obriga o deficiente - ou melhor, seu acompanhante - a forçar a cadeira para descer e subir degraus o tempo todo. ‘‘Tem que ter uma cadeira bem resistente para aguentar.’’
Na rua Pernambuco, entre a Sergipe e o Calçadão, é encontrado um bom exemplo de como impedir a passagem de um deficiente físico. No lado esquerdo da via, um trecho da calçada pode representar o suicídio para um deficiente que se aventure a descer com a cadeira de rodas sozinho. Imediatamente após uma espécie de lombada, formada pela saída de veículos, a calçada apresenta buracos formados pelo crescimento das raízes da árvore e desleixo do proprietário do imóvel em frente. ‘‘A sensação que dá é que eu vou cair. Sozinho, é impossível passar aqui’’, afirma o presidente da Associação dos Deficientes Físicos. ‘‘É suicídio.’’
Outra calçada intransitável para usuários de cadeira de rodas é a da rua São Paulo, entre a Benjamin Constant e a Sergipe, por causa do paralelepípedo e os buracos. A dificuldade de passagem nesses locais pode ser sentida até mesmo por quem só observa o trabalho de quem empurra a cadeira.

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