Com 58 anos de idade, o general Marco Aurélio Costa Vieira é o comandante da 12 Região Militar, que abrange Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. A cargo dele está todo o planejamento logístico dessa área, que só de linha de fronteira tem 10 mil km. São 19,8 mil homens espalhados por 61 unidades do Exército, 25 delas na fronteira.
O general tem na ponta da língua os números e as dificuldades para abastecer as unidades militares com alimentos, armamentos, munições e outros equipamentos. Em alguns casos, para os alimentos chegarem a um pelotão de fronteira são necessários 40 dias de balsa. ''Tenho que estar sempre quatro meses à frente. Uma cheia, uma seca, uma calamidade da natureza, um problema no aeroporto pode deixar os soldados sem ter o que comer'', explica.
Mas as dificuldades vão muito além do transporte. Apesar dos aportes financeiros do Exército serem maiores para a Amazônia, a verba é insuficiente. ''Ainda sinto falta de alguns meios para trabalhar. Sinto falta, por exemplo, de uniformes. Nosso soldado deveria receber pelo menos seis jogos, mas temos o mesmo tratamento do Sul, e eles recebem apenas um par, mesmo com o desgaste daqui sendo maior. Tínhamos que receber também mais pneus; por causa do calor por aqui eles queimam que nem cigarro'', comenta.
Outro inimigo ferrenho atende por ''execução orçamentária''. Os recursos dotados em Brasília para comprar o necessário sempre chegam atrasados a Manaus. ''A primeira parcela da nossa verba anual, que devia chegar em janeiro, só aparece em maio'', reclama Marco Aurélio, que só para a compra de perecíveis administra uma verba de R$ 40 milhões/ano. ''Um militar na Amazônia custa R$ 89 por dia. Isso para viver, não para combater'', completa.
Sobre o isolamento dos pelotões de fronteira, o general é enfático: ''Eles estão ali em uma situação de vigilância e não para repelir ataque de ninguém. Lá eu tenho as famílias. Em nenhum país da América Latina há militar morando junto com a mulher na fronteira. A única instituição brasileira que passa o Natal na fronteira é o Exército. Se realmente for acontecer um combate, temos um plano de resgate do pelotão de fronteira, com família e tudo. São outros que irão combater. Em um prazo de seis a oito horas dá para resgatar todo mundo.''
Questionado sobre o plano do ministro da defesa, Nelson Jobim, de instalar mais 28 pelotões de fronteira na Amazônia, o general responde com uma pergunta. ''Vamos ter recursos? Com dinheiro, podemos fazer qualquer coisa. Sem dinheiro, só Jesus Cristo. Hoje, os nossos recursos mal dão para o rancho (alimentação). Qualquer aumento de efetivo tem que partir de um aumento logístico. Antigamente tínhamos um espírito muito heroico, mandávamos o pelotão e depois resolvíamos. Não vamos mais trabalhar assim, estamos no limite de nossa capacidade. Só a pista de pouso custa R$ 6 milhões. E não há pelotão de fronteira que trabalhe sem pista de pouso de no mínimo 1,2 mil metros.'' (W.S.)

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