Sem dinheiro, servidores podem parar
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Lúcio Horta 
A expectativa de não receber 13º e o salário de dezembro, somado ao não fornecimento das cestas básicas, está levando os servidores municipais ao desespero. Pelo menos é essa a avaliação do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Gláudio Renato de Lima. Hoje mesmo (ontem) tinha uma servidora com 20 anos de Prefeitura, com a mãe doente, que não tinha dinheiro nem para comprar remédio, afirmou. Isso vai acabar em catástrofe.
A categoria faz assembléia hoje, a partir das 18 horas, para decidir se paralisa ou não o trabalho. A tendência é de parar, aposta o sindicalista. Antes da assembléia, no final da manhã, o sindicato promove uma manifestação na Prefeitura. Segundo Lima, será um protesto bem humorado, para marcar esse Natal que vai ser o mais triste do servidor.
A gente vai distribuir o presente que o Cheida deixou para os funcionários, indica Gláudio Lima. E completa: Em 93 chegaram a dizer que aquele era o pior Natal dos servidores. Mas agora ele (Luiz Eduardo Cheida) se superou.
O presidente do Sindserv não acredita que até o dia 30 de dezembro a Prefeitura terá recursos para pagar o 13º, como acenou o prefeito Luiz Eduardo Cheida em entrevista às emissoras de rádio da Cidade, ontem pela manhã. Não sai, não tem caixa. A Prefeitura não tem dinheiro nem para pagar a primeira parcela, diz o sindicalista.
Para Gláudio Lima, as declarações do prefeito são para desestabilizar a assembléia - com perspectiva de pagamento do benefício -, e assim evitar a greve. Eu tenho certeza disso. Ele está jogando com a situação para sair menos prejudicado possível. Ele já foi sindicalista e sabe como isso funciona.
Nem mesmo o cartão de Natal que a Prefeitura de Londrina tem mandado para os funcionários passou desapercebido pelo sindicalista. É lindo, lindíssimo, devem ter pago uma nota preta, ironiza. Para ele, enviar cartão comemorativo e deixar de pagar os benefícios não passa de uma falta de respeito com os servidores.
Sobre o corte do fornecimento de cestas básicas - benefício dado a funcionários com salário até R$ 1,5 mil -, Gláudio afirma que tentou várias formas para conseguir a liberação, mas faltou sensibilidade por parte da Prefeitura. Este mês eles não vão entregar o tíquete.
Agnaldo Kupper, chefe de gabinete da Prefeitura, estava bem mais otimista sobre a situação dos servidores do que o próprio sindicato. Segundo ele, a partir de, no máximo, segunda-feira a Prefeitura já deve começar a efetuar o pagamento de parte do 13º para os funcionários. Os estudos de viabilidade estão sendo feitos na Secretaria de Recursos Humanos. A idéia é concentrar todos os recursos que estão no caixa da Prefeitura para o pagamento do benefício, de forma igual para todos os funcionários. Ou seja: a Prefeitura vai dividir o valor que estiver nos seus cofres pelo número de servidores, concedendo o benefício igualmente, como se fosse um rateio. A perspectiva é o pagamento ser igual para que todos tenham algum benefício antes do Natal.
Sobre as declarações do presidente do Sindserv, Agnaldo Kupper comentou que o sindicato já está sendo processado pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida por divulgar inverdades. Para ele, o sindicato deveria trabalhar no sentido de dar tranquilidade aos servidores, mas está fazendo o contrário: provocando um clima de insegurança. Isso é falta de maturidade.


