A expectativa de não receber 13º e o salário de dezembro, somado ao não fornecimento das cestas básicas, está levando os servidores municipais ao desespero. Pelo menos é essa a avaliação do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Gláudio Renato de Lima. ‘‘Hoje mesmo (ontem) tinha uma servidora com 20 anos de Prefeitura, com a mãe doente, que não tinha dinheiro nem para comprar remédio’’, afirmou. ‘‘Isso vai acabar em catástrofe’’.
A categoria faz assembléia hoje, a partir das 18 horas, para decidir se paralisa ou não o trabalho. ‘‘A tendência é de parar’’, aposta o sindicalista. Antes da assembléia, no final da manhã, o sindicato promove uma manifestação na Prefeitura. Segundo Lima, será um protesto bem humorado, ‘‘para marcar esse Natal que vai ser o mais triste do servidor’’.
‘‘A gente vai distribuir o presente que o Cheida deixou para os funcionários’’, indica Gláudio Lima. E completa: ‘‘Em 93 chegaram a dizer que aquele era o pior Natal dos servidores. Mas agora ele (Luiz Eduardo Cheida) se superou’’.
O presidente do Sindserv não acredita que até o dia 30 de dezembro a Prefeitura terá recursos para pagar o 13º, como acenou o prefeito Luiz Eduardo Cheida em entrevista às emissoras de rádio da Cidade, ontem pela manhã. ‘‘Não sai, não tem caixa. A Prefeitura não tem dinheiro nem para pagar a primeira parcela’’, diz o sindicalista.
Para Gláudio Lima, as declarações do prefeito são para desestabilizar a assembléia - com perspectiva de pagamento do benefício -, e assim evitar a greve. ‘‘Eu tenho certeza disso. Ele está jogando com a situação para sair menos prejudicado possível. Ele já foi sindicalista e sabe como isso funciona.’’
Nem mesmo o cartão de Natal que a Prefeitura de Londrina tem mandado para os funcionários passou desapercebido pelo sindicalista. ‘‘É lindo, lindíssimo, devem ter pago uma nota preta’’, ironiza. Para ele, enviar cartão comemorativo e deixar de pagar os benefícios não passa de uma falta de respeito com os servidores.
Sobre o corte do fornecimento de cestas básicas - benefício dado a funcionários com salário até R$ 1,5 mil -, Gláudio afirma que tentou várias formas para conseguir a liberação, mas faltou ‘sensibilidade’ por parte da Prefeitura. ‘‘Este mês eles não vão entregar o tíquete.’’
Agnaldo Kupper, chefe de gabinete da Prefeitura, estava bem mais otimista sobre a situação dos servidores do que o próprio sindicato. Segundo ele, a partir de, no máximo, segunda-feira a Prefeitura já deve começar a efetuar o pagamento de parte do 13º para os funcionários. Os estudos de viabilidade estão sendo feitos na Secretaria de Recursos Humanos. A idéia é concentrar todos os recursos que estão no caixa da Prefeitura para o pagamento do benefício, de forma igual para todos os funcionários. Ou seja: a Prefeitura vai dividir o valor que estiver nos seus cofres pelo número de servidores, concedendo o benefício igualmente, como se fosse um rateio. ‘‘A perspectiva é o pagamento ser igual para que todos tenham algum benefício antes do Natal.’’
Sobre as declarações do presidente do Sindserv, Agnaldo Kupper comentou que o sindicato já está sendo processado pelo prefeito Luiz Eduardo Cheida por divulgar ‘‘inverdades’’. Para ele, o sindicato deveria trabalhar no sentido de dar tranquilidade aos servidores, mas está fazendo o contrário: provocando um clima de insegurança. ‘‘Isso é falta de maturidade.’’

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