Sem dinheiro, sem reforma, crise do HU de Londrina ameaça explodir
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terça-feira, 21 de outubro de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
César AugustoA todo vaporO diretor Lelbe Francisconi na área da caldeira que gera vapor para a cozinha, lavanderia e centro de material do HU: excesso de trabalho pode provocar uma explosãoSe houver um princípio de incêndio no Hospital Universitário (HU), que pertence à Universidade Estadual de Londrina (UEL), as consequencias poderão ser catastróficas. Quem alerta é o diretor administrativo do HU, Lelbe Luiz Francisconi. Ele destaca que toda a rede elétrica do hospital precisaria ser trocada, já que o prédio tem mais de 50 anos, e não há saídas de emergência. Por isso, afirma o diretor, os funcionários estão fazendo cursos para saber como agir em caso de incêncio. Estamos também formando brigadas de incêndio, com treinamentos específicos, diz. Para ele, o risco de uma tragédia é iminente.
A falta de saídas de emergência é apenas um item no extenso rosário de problemas estruturais que faz parte do dia-a-dia de pacientes, estudantes da UEL, funcionários, médicos e enfermeiros do HU. Pelo pronto-socorro do hospital, passam todo mês cerca de cerca de 18 mil pessoas. No mesmo período, são quase mil internações e 600 cirugias. O HU é o maior hospital público do Estado, atendendo pacientes de 200 municípios e de outros estados como São Paulo, Mato Grosso e Acre. E com um detalhe: o prédio foi construído para abrigar um sanatório de tuberculose, não um hospital. Por isso praticamente toda a estrutura é adaptada.
A saída para o fim dos problemas - e também dos riscos - passa por uma grande obra de reforma e ampliação, que custaria R$ 30 milhões. Já existe projeto e maquete. A verba para a reforma foi votada e aprovada pela Assembléia Legislativa, em 1995, para o orçamento de 1996. Só que o dinheiro nunca apareceu. O diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, lembra que se fosse liberada ao menos uma parte da verba prevista, os problemas já poderiam começar a ser solucionados. A primeira fase da reforma consumiria R$ 19 milhões, valor dividido em 18 ou 24 meses; a segunda parte, R$ 12 milhões, divididos em aproximadamente um ano e meio.
Não há necessidade de desembolso imediato, é um trabalho para três, quatro anos praticamente. Então não é uma coisa inviável, impossível, observa o superintendente. Ele diz que em julho conversou com o governador Jaime Lerner (PFL) e mostrou a ele a maquete das reformas. O governador teria gostado muito do que viu, mas o diálogo não avançou. Camacho está tentando reativar as conversas, sobretudo com a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia - já que o hospital pertence à Universidade - e também com a Secretaria da Saúde. Mas até ontem, ele garante, não houve nenhum aceno por parte do Governo para melhorar a situação do HU.
Nos requerimentos enviados ao Governo do Estado, alertando sobre a necessidade da reforma física no hospital, os problemas sempre são citados. Em março, por exemplo, a Vigilância Sanitária e o Corpo de Bombeiros vistoriaram o HU e apontaram uma série de coisas que precisariam ser melhoradas, como troca de janelas, pintura, rachaduras etc. O hospital vai reformando o que dá, mas sempre com recursos próprios. A verba que chega do Estado vai direto para a folha de pagamento. Além do mais, diz Francisconi, isso tudo é quebra-galho.
Há pouco mais de uma semana, por exemplo, o transformador estourou. Foi comprado um novo, instalado, mas deu problema novamente. Os técnicos foram verificar e o defeito estava na fiação elétrica, velha e insuficiente, e nos fusíveis, que precisaram ser trocados. Por isso precisamos modernizar a rede, aponta Francisconi. Não apenas a parte elétrica: as redes hidráulica e de gases (medicinais) também são ultrapassadas.
Outra questão que ainda não foi contornada é a instalação das nove máquinas novas de hemodiálise, adquiridas pelo hospital. A dificuldade, mais uma vez, está no espaço físico: para que a instalação fosse feita dentro dos padrões técnicos mínimos, seria necessária a desativação de pelo menos 60 leitos. Mas a demanda exige que se aumente o número de leitos, que continua o mesmo de 10 anos atrás (280). Nos últimos dois anos, o número de atendimentos quase triplicou, passando de 94.180, em 94, para 207 mil no ano passado.
Mais um dado que mostra a precariedade com que trabalham médicos e enfermeiros do HU: percorrer os 237 metros de corredores e rampas que separam o pronto-socorro do centro de cirurgia leva aproximadamente, em passos largos, sete minutos. Exatamente o mesmo tempo em que o Siate leva para transportar uma pessoa do centro da Cidade até o pronto-socorro do hospital. Além do mais, os corredores são estreitos, com 1,80 metros de largura, quando o correto seriam 2,5 metros de largura. E mais: dependendo da ala onde estiver internado, o paciente também precisará percorrer cerca de 40 metros para chegar ao banheiro.
Para minimizar a primeira situação, estão previstas a compra e instalação de dois elevadores no HU, a um custo de aproximadamente R$ 200 mil, também com recursos próprios. Já a distância dos banheiros só poderá ser corrigida com a reforma maior, onde está prevista a instalação de um banheiro em cada quarto. O nosso maior problema é mesmo físico, já que em equipamentos estamos investindo. Até equipamentos de ponta, como o tomógrafo, nós já compramos, mas falta muita coisa ainda, diz. Máquina de ressonância magnética e hemodinâmica, no entanto, já até poderiam ter sido adquiridas não fossem as inúmeras pequenas reformas estruturais - e paliativas - pelas quais passa o HU. O diretor comenta: Haja dinheiro para tanta reforma.


