Sem dinheiro, Santa Casa de Foz fecha
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sexta-feira, 20 de março de 1998
Valmir Denardin 
Ney de SouzaAbatido pela criseFaixa na frente da Santa Casa Monsenhor Guilherme anuncia fechamento do pronto-socorro A direção da Santa Casa Monsenhor Guilherme, de Foz do Iguaçu - o maior hospital público do Extremo-Oeste do Paraná -, anunciou ontem por meio de uma nota oficial o fechamento definitivo da instituição. Se a medida realmente se concretizar, a cidade, que tem 231 mil habitantes, ficará com apenas 72 leitos à disposição do Sistema Único de Saúde (SUS).
O médico Hélio Avelar, diretor-clínico do hospital e encarregado pela administração para dar entrevistas sobre o assunto, disse que o motivo do fechamento é econômico. Segundo ele, a Santa Casa arrecada entre R$ 150 mil e R$ 180 mil mensais e tem uma despesa que varia entre R$ 300 mil e R$ 350 mil mensais. Acumulamos uma dívida de R$ 5 milhões e muitos fornecedores estão se recusando a negociar conosco, afirmou Avelar.
A decisão de fechar o hospital foi tomada anteontem à noite, em assembléia da Irmandade da Santa Casa Monsenhor Guilherme, entidade mantenedora da instituição. De acordo com a nota oficial, o fechamento não será imediato. Serão mantidos os atendimentos de urgência e emergência até que os estoques de medicamentos permitam.
O diretor-clínico avaliou que o estoque de medicamentos deve durar cerca de duas semanas. Ontem, o hospital mantinha 77 pacientes - 60 deles pelo SUS. Prestes a completar 60 anos - em 10 de junho -, a Santa Casa já realizou mais de 100 mil partos. Nos últimos seis meses, o hospital manteve uma média mensal de 700 internações. Dos 72 leitos pelo SUS que restarão na cidade, 48 são do Hospital Internacional e 24 do Costa Cavalcanti. A Santa Casa destinava 75 leitos para o SUS. Avaliações indicam que seriam necessários seriam 300 leitos.
A Folha não conseguiu falar ontem à tarde com o secretário municipal de Saúde, Sadi Buzanelo. A secretaria divulgou uma nota oficial, em que anuncia medidas para tentar resolver a crise no setor.
As principais são: criar uma Comissão de Transição que, no prazo de 90 dias, deverá apresentar a proposta de uma nova entidade para gerir a Santa Casa; instalar uma auditoria, coordenada pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), para verificar, em 30 dias, a real situação financeira do hospital e abrir a Santa Casa para novos convênios e parcerias.
A primeira reunião da Comissão de Transição - coordenada pelo secretário Buzanelo e integrada por 15 pessoas - foi ontem. Até as 18h30 a reunião não havia terminado.


