Sem dinheiro, rádio comunitária sai do ar
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quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Jataizinho - A suspensão de um convênio com a administração municipal foi apontada pelo diretor Odemir Marques Briola como o principal motivo que determinou a retirada do ar da Rádio Comunitária Nova Geração, a única emissora de Jataizinho (21 km a leste de Londrina). O rádio não está funcionando desde sexta-feira por força da ameaça de multa de R$ 100,00 mensais pela falta de pagamento de direitos autorais ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
A rádio é mantida pela Associação Comunitária de Comunicação Cultural e Artística de Jataizinho, que foi criada em 1998 e é dirigida por Odemir Briola. Segundo ele, a situação financeira ficou insustentável desde que o prefeito Wilson Fernandes suspendeu o repasse mensal de R$ 250,00.
''Sem poder tocar música fica impossível manter a rádio no ar. A única saída é tentar sensibilizar o prefeito para instituir novamente o convênio'', declarou Briola. Ele acrescentou que o funcionamento da rádio é importante porque ''presta serviço de utilidade pública para a cidade'', como a divulgação de avisos e recados.
O diretor-presidente da Rádio Nova Geração explicou que nunca havia recebido cobrança do Ecad e que não tem condições de quitar as parcelas atrasadas, que totalizariam cerca de R$ 6 mil. ''O problema é que depois de 30 dias com a programação suspensa a concessão é revogada'', lamentou.
O prefeito Wilson Fernandes disse que o convênio foi suspenso porque a rádio estaria sendo usada politicamente. ''Quero que a comunidade participe sem misturar a rádio com política. Não vou usar dinheiro público para financiar isso'', declarou. Ele afirmou ainda que está disposto a negociar desde que a Associação preste conta do dinheiro repassado até agora.
O advogado da Associação das Rádios Comunitárias do Norte do Paraná, Tito Valle, lamentou a atitude do prefeito e negou que a rádio seja utilizada politicamente. ''As rádios comunitárias são um meio de democratização dos meios de comunicação'', comentou.
De acordo com o gerente regional sul do Ecad, Maurício Fernando Brotto, uma ação de cobrança contra a rádio tramita na Justiça desde 2003. O valor mensal é de seis unidades de direito autoral, que hoje vale R$ 35,37. ''O dinheiro é repassado para os autores e compositores'', declarou.


