Sem dinheiro para ônibus o jeito é caminhar
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Se o reajuste da tarifa de ônibus em 18,75%, válido desde domingo, pesou na bolso da maioria dos londrinenses, para a chacareira Sônia Oliveira de Freitas a situação só confirmou uma realidade: ''Ônibus só em último caso''. Anteontem, Sônia sentiu ainda mais a falta de R$ 1,90, quando o marido passou mal e teve que ser levado às pressas para o Pronto Antendimento Municipal (PAM), na Área Central.
Moradora do Patrimônio Espírito Santo, Zona Sul, a chacareira saiu de casa com o marido para irem a um banco pedir empréstimo. ''O salário só dá mesmo para as contas da casa e para a comida. Então a gente sempre anda a pé'', disse Sônia. No meio do caminho, um trajeto de cerca de 15 quilômetros, o marido passou mal e foi socorrido por uma ambulância. Porém, no final da tarde, a chacareira sofreu mais uma vez ao lembrar que não tinha como voltar para casa. ''A ambulância só traz. Se ele for liberado não sei como vamos voltar'', desabafou.
Durante o dia todo Sônia e o amigo Hugo Leão Trindade quase não comeram nada. ''O almoço foi um cafezinho e um lanche que comemos em uma loja. E só conseguimos porque ela ligou para o filho em Cascavel e ele contatou este amigo da loja'', relembrou Trindade, que acompanhava o casal desde o patrimônio. A chacareira e o marido recebem apenas um salário R$ 260,00 e ainda sustentam duas filhas desempregadas. A exemplo do casal, Trindade raramente anda de ônibus.
Assim como Sônia, outros londrinenses não utilizam o transporte coletivo há anos pela falta de dinheiro. A ex-costureira Valdelici de Souza Siqueira, de 52 anos, contou que só anda de ônibus quando tem que ir ao Hospital Universitário. ''Fica muito longe e como tenho problema no coração é melhor não abusar.''
Mesmo assim, anteontem à tarde, ela caminhou do Jardim Marabá, na Zona Leste, onde mora, até o centro para ir ao dentista. ''Eu também tenho problemas no pé e o médico já deu um documento para pedir passe livre, mas na loja eles disseram que o benefício é só para deficientes'', relatou.
Até mesmo quem tem dinheiro para pagar o ônibus reclama. ''Se os ônibus fossem bons, tudo bem. Mas, com poucos horários, eles estão sempre lotados'', revoltou-se a dona de casa Andrea Ferreira de Oliveira, de 20 anos. Ela, o marido Anderson de Barros Luppo, de 22 anos, e alguns familiares foram para a Maternidade Municipal visitar uma parente que teve bebê e gastaram mais de R$ 8,00. ''Com esse valor é mais barato todo mundo voltar de táxi'', decidiu Andrea.


