Sem dinheiro, hospital vai transferir pacientes
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2002
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Maringá - A administração do Hospital Psiquiátrico de Maringá decidiu encaminhar 20 pacientes por semana para serem alimentados, tratados e medicados em hospitais da rede pública. O remanejamento dos cerca de 370 pacientes vai começar na próxima quarta-feira. O hospital alega falta de recursos porque a Secretaria Municipal de Saúde não paga os valores devidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A dívida da prefeitura com o hospital chega a R$ 700 mil. O secretário municipal de Saúde, Paulo Donadio, disse ontem que reconhece o débito com os prestadores da área, mas não admite o ''uso de pacientes para pressão''. ''Isso é antiético e irresponsável'', afirmou Donadio.
Segundo a diretora do Hospital Psiquiátrico, Maria Emília Parisoto Mendonça, se o município não tomar nenhuma providência, em três meses os leitos estarão desativados. ''Fico indignada com o descaso da prefeitura com os portadores de transtornos mentais, mas sem dinheiro não temos como manter o hospital aberto, depois de 40 anos de funcionamento'', afirmou Maria Emília. A diretora disse que o hospital é o único público para doentes mentais da região de Maringá.
Maria Emília afirmou que até quarta-feira a administração do estará em contato com familiares dos pacientes, alertando sobre a transferência compulsória.
Conforme o advogado do Psiquiátrico, Gilberto Baumman Lima, o hospital está sem dinheiro e sem crédito junto aos fornecedores. ''Se a prefeitura pagar, o hospital retorna o atendimento, mesmo combalido em dívidas'', disse Lima. Ele informou que a Justiça de Maringá analisa um pedido de liminar para o pagamento direto entre o SUS e o hospital, mas até ontem não havia resultados.
O secretário Donadio disse que a dívida com os prestadores de serviços de saúde em Maringá ultrapassa R$ 4,2 milhões, referentes aos meses de outubro e novembro. Ele informou que a origem dos problemas está no teto mensal do município junto ao SUS, que é de R$ 2,7 milhões, enquanto os prestadores, a maioria hospitais, emitem faturas em torno de R$ 2,9 milhões.


