Sem dinheiro, creche improvisa atendimento
A creche do Jardim Pindorama, na zona leste de Londrina, enfrenta um agravante dentro da crise financeira que assola as entidades assistenciais da cidade. Funcionando há mais de um ano em sede improvisada, a unidade espera a liberação de recursos para a reforma do prédio original, cuja situação precária oferece riscos para as crianças.
O projeto está orçado em cerca de R$ 50 mil e já foi aprovado pela Câmara Municipal. A prefeitura ainda não deu andamento ao processo por falta de dinheiro, mas prometeu prioridade para o assunto no ano que vem.
Mantida pelo Núcleo Social Evangélico de Londrina (Nuselon), a creche está ocupando o salão do centro comunitário da Vila Fraternidade (zona leste). O local não tem estrutura para garantir o atendimento adequado, obrigando os funcionários a se desdobrarem em adaptações.
Nós atendemos 45 crianças entre 0 e 6 anos, mantendo todas juntas aqui no salão. Na hora das aulas para o jardim e o pré, que acontecem no mesmo ambiente, temos que levar os menores para a quadra, que também é utilizada para a educação física da escola municipal Anita Garibaldi. É um transtorno, desabafa a coordenadora Luzeni de Araújo Marques.
A sede antiga recebia 70 crianças. Tentamos transferir algumas para outras entidades, mas todas enfrentam dificuldades. Só não paramos de funcionar para evitarmos que as mães ficassem desempregadas, completa.
O Comitê Solidariedade, mantido por funcionários da Sercomtel, está discutindo a possibilidade de assumir a reforma. Ao manifestarem intenção de construir uma nova creche em Londrina, foram aconselhados pela secretaria da Ação Social a auxliarem a instituição.
Eles esperam um detalhamento sobre o orçamento do projeto para apresentarem à diretoria da Sercomtel. A empresa contribuirá com o mesmo valor doado pelos funcionários, por isso a necessidade da aprovação, explica Venildo Bolfe, membro do comitê.
Além da creche, o Nuselon mantém quatro casas-lar para crianças tiradas do convívio familiar por enfrentarem situação de risco. Os atrasos constantes no repasse da verba vinculada à prefeitura está dificultando as atividades do Núcleo, que acaba sobrevivendo às custas de doações e promoções.
A secretaria municipal de Fazenda deve repassar hoje às 122 entidades assistenciais mais uma parte do dinheiro referente ao mês de julho. O secretário Francisco Simões garantiu o depósito de cerca de R$ 107 mil, valor que corresponde à metade da soma devida e 25% do montante total repassado mensalmente.
O restante dos recursos devem ser pagos até o próximo dia 4. Sobre o mês de agosto, ele pretende depositar metade do débito até o dia 14 de setembro. A folha de pagamento dos servidores, que vence dia 31 e totaliza R$ 10,2 milhões, também está preocupando o secretário. Ainda preciso levantar R$ 1,5 milhão, mas espero cumprir em dia essa obrigação, afirmou.





