O preço proposto pela Companhia de Tratamento de Esgotos e Saneamento Básico de São Paulo (Cetesb) para uma completa análise da qualidade da água do Lago Igapó - R$ 9.837,41 - caiu como uma bomba sobre a Comissão Permanente de Vigilância e Defesa do Igapó da Câmara Municipal, coordenada pelo vereador Célio Guergoletto (PMDB).
‘‘Não vai dar para pagar este valor. Infelizmente, não temos dotação orçamentária suficiente para realizar estes importantes exames laboratoriais’’, comentou ontem Guergoletto, explicando que esperava que o preço cobrado seria muito menor. O orçamento havia sido solicitado à Cetesb, na última semana, depois de uma polêmica criada na comissão da Câmara sobre a credibilidade e exatidão das análises feitas recentemente pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
De acordo com Célio Guergoletto, a saída agora é retomar a negociação com o IAP e solicitar a realização de novos exames sobre o nível de poluição das águas do lago. ‘‘O que é que podemos fazer, se não temos o dinheiro para pagar a Cetesb? Vamos pedir ao IAP, ainda nesta semana, que proceda novas análises da água. Até por que, o Nelson (Pereira, chefe do IAP) já havia dito que faria mesmo exames paralelos para confrontar com os da Cetesb’’, afirmou Guergoletto.
As dúvidas sobre a confiabilidade dos resultados das análises do IAP foram levantadas na última reunião da comissão da Câmara, pela mestranda de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luisa Maria Gonçalves Catarino. O chefe regional do IAP em Londrina, Nelson Santos Pereira, reagiu à desconfiança dizendo que a estudante ‘‘está mal-intencionada ou confusa nos seus comentários, porque mistura resultados de análises com laudos, dois estágios de pesquisas completamente diferentes’’.
Segundo Nelson Pereira, as críticas feitas ao IAP pela comissão da Câmara - a partir do comentário de Luisa Catarino - foram péssimas para a imagem do órgão, que ficou em uma situação muito complicada. ‘‘Isto tudo é muito ruim, porque somos parceiros da Câmara há muitos anos em vários projetos. Ela não pode ficar dando atenção a comentários levianos, sem fundamentos científicos.’’
A desconfiança sobre as análises do IAP surgiu porque, apesar dos resultados delas atestarem que a qualidade da água é boa, constantemente há a mortandade de peixes nos quatro lagos que formam o Igapó. ‘‘Nós fizemos apenas três análises, o que é insuficiente para a emissão de um laudo, que exige uma série muito maior de exames, com a utilização de equipamentos e o trabalho de especialistas que não dispomos aqui’’, explica Pereira.
Ele acrescentou que um laudo completo sobre a poluição do Igapó demoraria, no mínimo, três meses e exigiria recursos não disponíveis atualmente no IAP. ‘‘Se a comissão da Câmara agora quer novos exames, ela que solicite. Estamos aqui abertos à negociação e à disposição, como sempre estivemos. Mas o Célio Guergoletto precisa explicar claramente o que deseja. É muito ruim isto de divulgar que nossos estudos não servem, não têm credibilidade e, na outra semana, vir nos pedir outras análises.’’

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