Campo Mourão - A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Campo Mourão pode não iniciar o ano letivo de 2002 por falta de recursos. A possibilidade foi confirmada no final da semana passada pelo presidente da instituição, José Turozi. Segundo ele, a Apae tem hoje um déficit mensal de R$ 13 mil e, pelo segundo ano consecutivo, está fechando o ano com prejuízos no caixa. ''Se a situação não mudar até fevereiro, nem adianta iniciar os trabalhos'', disse Turozi. O principal problema é a falta de reajuste de um convênio do governo do Estado. São R$ 10 mil mensais que estão congelados desde 1997. Na época da assinatura do convênio, a Apae atendia 170 alunos. Hoje são 300. Para 2002 já existem 309 confirmados.
Como os repasses não vêm tendo alterações, a escola mantida pela instituição teve que reduzir as aulas de parte dos alunos, mantendo um sistema de rodízio. Alunos que antes tinham aulas cinco dias por semana, agora só tem dois. Um levantamento feito na escola revelou que hoje a instituição tem um déficit mensal de 110 horas/aula. A enfermeira Jacira Bueno Machado, que adotou 19 crianças, sente o problema na pele. Quatro de suas crianças estudam na Apae e três delas tiveram redução no horário de atendimento. ''Elas precisam fazer fisioterapia e seria melhor se hovesse tratamento diário'', diz.
A Apae de Campo Mourão também sofre com a falta de mais profissionais da área de saúde. Na semana passada, por exemplo, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos entraram em férias junto com as aulas. Hoje, a dívida da Apae é de R$ 18 mil. O montante não é maior porque campanhas comunitárias ao longo do ano arrecadaram mais de R$ 60 mil. Para complicar, os dois ônibus que transportam os estudantes estão sucateados.

mockup