Sem controle, asma pode levar à morte
Érika Pelegrino
de Londrina
A dona de casa Iolanda Costa Oliveira, 63 anos, sofre há 18 anos com crises de asma. Cansaço, tonturas, falta de ar, são sintomas com os quais ela convive e que já a fizeram parar de trabalhar. Não consigo nem fazer as tarefas domésticas, conta. Na busca de diagnóstico e tratamento adequado, Iolanda Oliveira consultou diversos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e particulares.
Sempre me diziam que não era nada, conta. Há um ano a doença foi diagnosticada, mas segundo ela, as crises não melhoraram. Ela faz em média três inalações por dia, mas o tratamento não está tendo resultado. Por isso, Iolanda Oliveira, está sempre em busca de novidades sobre a doença. Foi assim que ela chegou ao 1º Encontro de Asmáticos de Londrina e Região, realizado ontem no Hospital Universitário (HU).
O caso da dona de casa ilustra uma das causas de falta de sucesso no tratamento da asma, citada pelo pneumologista João Carlos Corrêa, presidente da Sociedade Brasileira de Asmáticos, com sede no Rio de Janeiro: médicos que não fazem o diagnóstico correto da doença. Segundo ele, os especialistas (pneumologistas e alergistas) conhecem tudo sobre a doença, mas os médicos generalistas não.
Com isso o tratamento prescrito muitas vezes não surte efeito. Por ser uma doença inflamatória das vias aéreas que se caracteriza pelo fechamento dos brônquios, devem ser usados antiinflamatórios de forma crônica. Segundo o pneumologista, os médicos utilizam muito mais os broncodilatadores, que deveriam ser utilizados durante a crise, e posteriormente dar continuidade ao tratamento com antiinflamatório.
Resistência do paciente ao uso de medicamentos, forma correta de utilização dos medicamentos inaladores, falta de vínculo do paciente com a estrutura de saúde (o paciente hoje é atendido em um hospital e amanhã em outro), também foram citados como fatores que prejudicam o controle da doença.
A distribuição e o acesso aos medicamentos também são citados pelo pneumologista. Ele afirma que no Brasil 80% da população é carente, o que impossibilita o acesso aos medicamentos que custam em média R$ 100,00 ao mês. Hoje no País são 16 milhões de asmáticos, segundo João Carlos Corrêa, ao contrário dos 9 milhões mencionados pelo gerente regional da Zambon Laboratórios, Luiz Alfredo Rodrigues Farias, em entrevista anterior.
A asma quando não é contida pode levar a uma insuficiência respiratória crônica, deixando o brônquio constantemente fechado, podendo levar à morte. Por isso a importância de se educar médicos, comunidade, familiares, profissionais de saúde e governo, segundo o pneumologista, para que atentem para a necessidade de se manter a doença sob controle. Um plano de ação que auxilie o paciente a reconhecer a doença é fundamental para a melhora da qualidade de vida do asmático.
João Carlos Corrêa acredita que o Brasil irá avançar muito no controle da doença, se o plano nacional voltado aos asmáticos que está em estudo no Ministério da Saúde for implantado. A partir do encontro realizado ontem será formada a 1ª Associação de Asmáticos de Londrina e Região, com o objetivo de orientar os pacientes para que controlem a doença e melhorem a qualidade de vida.Presidente da Sociedade Brasileira de Asmáticos diz em Londrina que doença depende de educação da comunidade e dos médicos
Paulo WolfgangPaulo WolfgangPaulo WolfgangDEBATENDO A ASMAO encontro ontem em Londrina (acima): reeducação. Abaixo, à esquerda, Iolanda Costa Oliveira: Não consigo nem fazer as tarefas domésticas. À direita, o médico João Carlos Corrêa





