Vivian de Albuquerque
Sem poder realizar concursos para a contratação de professores permanentes desde 1995, por causa de uma determinação do governo federal, destinada a cortar despesas com a folha de pagamento das universidades de todo o País, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) novamente anuncia a contratação dos chamados professores temporários. Ontem, mais dez vagas foram anunciadas, para oito cursos. Ao todo, já são 130 as vagas, que não são preenchidas desde a saída, por aposentadoria, demissão ou outros motivos, dos antigos professores. O que causa um verdadeiro ‘‘buraco’’ no quadro docente da instituição.
‘‘Desde 93 nós sempre pudemos contratar professores para trabalhar em períodos de no máximo um ano na universidade’’, explica Josiane Maria de Carvalho Dresch, diretora do Departamento de Administração de Pessoal da UFPR. ‘‘Mas quando em 95 foi proibida a realização de concursos, esse passou a ser o único meio de tentar fazer uma reposição. Infelizmente não resolve o problema porque a universidade está se expandindo e o número de professores não’’.
Segundo o presidente da Associação dos Professores da UFPR, Emmanuel Appel, a dificuldade tem consequências muito mais graves. Para o professor, a precariedade com que são feitos os contratos com estes professores faz com que acabe caindo a qualidade do ensino. ‘‘Não por culpa deles, mas pela própria situação’’, esclarece. ‘‘Eles têm um contrato temporário, sem vínculo empregatício e ganham cerca de R$ 1,2 mil a R$ 1,3 mil. O que acaba os obrigando a manter uma dupla jornada. Isso faz com que eles não tenham tempo suficiente para preparar as aulas, elaborar artigos ou mesmo se dedicar a teses de doutorado e mestrado, por exemplo’’.
De acordo com a associação, na última greve feita em meados do ano passado, o governo federal prometeu liberar 2,5 mil vagas, das seis mil trancadas pela falta de concursos.

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