Cerca de 50 crianças do Centro de Educação Infantil Josefina da Cruz, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste de Londrina), não estão sendo atendidas desde terça-feira. Ontem pela manhã, as mães que tentaram deixar os filhos no CEI tiveram que levá-los de volta para casa. O motivo é a falta de alimento para as crianças. ‘‘Estamos aqui para atender. O problema é que não temos mais alimento’’, lamenta a diretora do CEI, Andréa Carolina Ferreira. O Centro fornece três refeições diárias para as crianças (café da manhã, almoço e lanche da tarde). Algumas doações de leite, arroz e feijão são conseguidas com comerciantes próximos à unidade, mas não são suficientes, segundo a diretora. Desde que começou a funcionar, em 6 de março, a unidade vem sendo mantida por professores e pelos próprios funcionários.
  Os funcionários afirmam que estão com os salários atrasados e alguns ainda dependem da creche. Taline Luzia de Matos leva a filha de 1 ano e oito meses ao trabalho. ‘‘Ela já ficava na creche comigo, enquanto eu trabalhava. Nestes dias, trago a comida de casa para ela’’,
informou.
  Outra funcionária, Sirlei de Souza Silva também levava o filho de cinco anos para o Centro. Há dois dias ela está deixando o filho com a irmã mais velha, de apenas 9 anos. ‘‘Não tenho o que fazer’’, argumentou.
  A moradora Marisa Maldonado Mainardes também está sendo prejudicada. Ela trabalha num bar, próximo à sua casa e está sendo obrigada a deixar o filho de quatro anos com uma vizinha. ‘‘Não posso ficar o tempo todo com ele no bar.’’ A maior preocupação é que a moradora desistiu de uma vaga obtida em outra creche. ‘‘Agora acho difícil conseguir vaga lá.’’
  A Associação Democrática de União e Valorização da Mulher, entidade mantenedora do Centro, está sem conta bancária, impedindo o repasse da verba pela prefeitura.
  A gerente de Gestão Escolar da Secretaria de Educação, Mariza Cristina dos Santos Tumiotto, afirma que a documentação e o convênio do CEI estão em dia e que falta apenas a abertura de conta por parte da associação para o repasse da verba, num valor de R$ 5,2 mil por mês. ‘‘O convênio passa a valer a partir do momento da abertura dessa conta’’, explicou.
  A presidente da Associação Democrática de União e Valorização da Mulher, Joana Pereira dos Santos, afirma que a entidade vai voltar a funcionar. ‘‘Já estamos tomando todas as providências necessárias e até o final da próxima semana toda a situação deve estar resolvida.’

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