A presidente da Associação dos Moradores do Assentamento Monte Cristo, Luzia Madalena Moreno, 50 anos, de Londrina, não foi convidada para participar da audiência pública que debateu a questão da coleta de lixo anteontem, na Câmara dos Vereadores. ‘‘Nós não queremos saber se o lixo vai ser municipalizado ou se continua terceirizado. Queremos que alguém recolha o lixo da porta de nossas casas.’’ Segundo Luzia, no Monte Cristo residem, ‘‘ou pelo menos tentam’’, 810 famílias. São cerca de três mil adultos e 1.200 crianças abaixo de 12 anos, convivendo com o lixo no quintal e na rua. ‘‘Somos sem-água, sem-energia e também sem-coleta de lixo’’, constatou. A falta do serviço, segundo Luzia, obriga os moradores a amontoar o lixo em qualquer lugar. ‘‘Uma coisa não podemos negar: temos nosso próprio lixão’’, ironizou. Como boa parte dos moradores sobrevive da venda de lixo reciclável, as sobras não aproveitadas vão formando grandes montes. ‘‘Quando o sol esquenta e o mau cheiro é insuportável, queimamos. A fumaça que invade as casas é o de menos’’, disse Luzia.

mockup