Sem chuva, litoral contabiliza os prejuízos
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A chuva deu uma trégua ontem no litoral do Paraná e o tempo firme permitiu que as pessoas que ficaram desabrigadas em Morretes, no domingo e anteontem, retornassem às suas casas e que as estradas de acesso às cidades fossem desbloqueadas. Alguns bairros ainda estavam sem energia elétrica e água potável, e a Defesa Civil permanece em alerta por causa da instabilidade do tempo. O governo estadual deve dar recursos para reparos assim que um levantamento sobre os prejuízos estiver pronto.
Em Adrianópolis (133 quilômetros ao norte de Curitiba), a rodovia de acesso permanecia bloqueada por causa de deslizamentos e não havia previsão de liberação por causa das chuvas de ontem no município. Deslizamentos nos quilômetros 23 e 47 impediam o trânsito. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foi aberta uma estrada que está sendo usada como via alternativa. Uma mulher grávida perdeu o bebê porque as condições da estrada atrasaram seu acesso ao hospital. Os moradores de Adrianópolis reclamavam do isolamento. ''Não saiu nem chegou nenhum ônibus hoje. Quem precisava viajar com urgência tinha que fazer a volta por Ponta Grossa ou pela BR-116, mas isso toma muito tempo'', relatou o empresário João Manoel Pampanini, dono de uma empresa de ônibus.
A situação de Morretes estava sob controle ontem, informou o prefeito Helder Teófilo dos Santos (PMDB). Cerca de mil famílias foram prejudicadas pela chuva. A BR-277, entre Curitiba e Paranaguá, foi totalmente liberada ontem às 17h30. Em caso de chuva, a Ecovia, que administra a rodovia, poderia interditar novamente as pistas. A PR-408, em Morretes, está funcionando em meia pista e deve ser totalmente liberada hoje à tarde.
O prefeito disse que o levantamento sobre os prejuízos deve ficar pronto amanhã. Com base nisso, o governo do Estado deverá repassar recursos ao município. Nas comunidades rurais de Morretes, alguns produtores perderam toda a lavoura. Em outros pontos, o Rio do Pinto saiu do curso normal, invadindo ruas e casas. ''Precisamos esperar o decreto estadual para depois intervir nessas áreas'', relatou Santos. Segundo ele, as vacinações e operações de limpeza já começaram.


