Meninos empinando pipas em locais inadequados são facilmente encontrados em todos os cantos de Londrina. Entrevistados pela Folha, as crianças dizem que, embora sofrendo represália dos pais, usam a linha com cerol porque senão a brincadeira não tem graça. Na acirrada competição nos céus da cidade não há espaço para a ingenuidade de outros tempos, quando a brincadeira se resumia em disputar quem mantinha a pipa mais tempo no ar ou quem fazia o brinquedo ir mais alto e mais longe.
''Se não for com cerol, os outros meninos derrubam a pipa da gente rapidinho'', argumenta um menino de 11 anos morador do Conjunto Sebastião de Melo (Zona Norte). O colega de 10 anos revela que para fugir das ''aparadas'' gíria usada para a manobra de cortar a linha do colega e ficar com a pipa os meninos do bairro passaram a brincar a noite.
No grupo de amigos, todos afirmam que perdem uma média de até cinco pipas por semana. Mas não ficam no prejuízo pois também derrubam o brinquedo de outros meninos. E fazem coleção dos troféus. ''Já consegui 14 pipas em uns dez dias'', gaba-se um dos garotos. ''Minha mãe fica brava e diz que é perigoso mas eu brinco escondido'', confessa outro. (L.A.)

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