Sem atendimento, usuários vão a hospitais
Érika Pelegrino
A dificuldade de atendimento nos postos de saúde de Londrina contribui, segundo afirmam os usuários, para a superlotação nos hospitais. A reclamação dos assistidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é comum: não conseguem atendimento nas unidades básicas de saúde e acabam procurando os hospitais mais próximos.
A moradora do Conjunto São Lourenço (zona sul), Rosemeire Cassimiro de Lima, é uma destas usuárias. Ontem, às 12h45, ela estava na sala de espera do Hospital da Zona Sul, com o filho Renan, de 11 anos. O garoto tinha febre e dor de cabeça. Eu fui ao posto de saúde mas não tinha vaga, afirmou. Isto é comum, sempre tenho que vir ao hospital.
No dia anterior, Rosemeire passou pela mesma situação com a filha Juliana, de três anos. A garota tinha infecção de garganta e não conseguiu atendimento no posto de saúde, no período da tarde. Para mim, seria muito mais fácil recorrer ao posto de saúde se tivesse médico. Em entrevista à Folha, a auxiliar de enfermagem do HZS, Tilza de Lourdes Martins, afirmou que 60% dos casos diários que são atendidos no hospital poderiam ser resolvidos em um posto de saúde.
Noêmia Santos Silva, moradora do Conjunto Milton Gavetti (zona norte) contou que muitas vezes teve que recorrer ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI) ou ao Hospital da Zona Norte porque não conseguiu atendimento no posto do bairro.
Meu neto de 6 anos sofre de bronquite e sempre precisa de inalação, mas na maioria das vezes tenho que recorrer ao PAI ou ao hospital porque aqui na postinho (do Milton Gavetti) só tem um pediatra, afirmou. O problema não se restringe ao atendimento infantil. Noêmia conta que ela mesma já recorreu ao Hospital da Zona Norte por problemas de pressão. Para ela, o problema seria solucionado com mais um pediatra e mais um clínico geral.
Lucinéia Duarte Soares Rodrigues, que levou a filha para atendimento odontológico no posto de saúde do Conjunto Santiago (zona oeste), contou que costuma levar a filha na unidade do Jardim Leonor. Lá o atendimento é melhor, mais rápido, tem mais médicos, disse.
Marilda Francica Camargo, moradora do Parque Ouro Branco (zona sul) e líder comunitária do bairro, afirma que a falta de médicos é um problema de toda a rede básica de saúde. Segundo ela, é muito difícil atender a demanda quando os médicos nos postos de saúde atendem apenas 16 consultas.
Para conseguir uma consulta, a pessoa tem que chegar na fila de madrugada, afirma. Marilda conta que recentemente teve um problema de estômago e foi obrigada a procurar o Hospital da Zona Sul. Quando cheguei ao postinho não tinha mais vaga.
Na opinião de Marilda, aumentar o número de médicos no posto de saúde ajudaria a desafogar o HZS. Rosalina Batista, membro do Conselho de Saúde da Região Sul, complementa: o problema não é falta de informação, mas de atendimento nos postos de saúde. Quem tem dinheiro ainda consegue ir com mais facilidade para o PAI ou para outros hospitais, afirma. Mas para os mais humildes a situação se complica.
Outro problema grave, segundo Rosalina, é a inversão de função das unidades básicas de saúde. Os postos de saúde estão ficando descaracterizados quanto a sua função, que é de promover a saúde, e atuar na prevenção e acabam prestando serviços próprios dos hospitais , diz.
No caso específico da superlotação do Hospital da Zona Sul, Nelson Cardoso, presidente do (Consul) afirma que é necessário mais um posto de saúde na região, com atendimento até as 23 horas,





