Cambé - Juntos, eles já somam mais de 3 mil cães abandonados e vítimas de maus tratos em Cambé (Norte), número que tende a crescer com a falta de um programa de assistência e castração aos animais. É o que revela o controlador interno da Câmara de Vereadores de Cambé, Carlos Alberto Serpeloni, denunciando o descaso da administração pública com a população canina no município.
''A situação dos animais abandonados em Cambé é uma vergonha. Nós já estamos cansados de solicitar à prefeitura para que faça alguma coisa e nenhuma providência é tomada. Se a administração tivesse algum interesse em solucionar o problema, construiria um canil municipal ou criaria um sistema para castração, mas nada disso foi feito até agora'', afirma Serpeloni. Cansado de aguardar providências, ele está realizando reuniões mensais com mais 20 pessoas para a criação da ONG Animal, que visa discutir e encontrar soluções para a situação dos animais em abandono no município.
De acordo com o servidor, em 2009 um vereador do município propôs emenda em um orçamento para aquisição de terreno onde seria construído um canil, no valor de 150 mil, mas a proposta não foi aprovada e de lá para cá a situação só piorou. Segundo ele, é difícil encontrar um ponto em Cambé onde não existam animais abandonados idosos, doentes e mutilados.
''Eles não se dão conta de que solucionar o problema não é só uma forma de amenizar o sofrimento dos animais, mas também de evitar que os cães mordam as pessoas e transmitam doenças'', enfatiza. Para o funcionário público abandono de animais é sim um problema de saúde pública. ''O que se gasta com pessoas que são mordidas por animais é muito mais do que se gastaria para prevenir esses problemas'', completa.
Serpeloni lembra que, ao atender o paciente, os profissionais de saúde precisam sempre considerar uma possível contaminação do animal e aí a necessidade da vítima receber vacina antirrábica e ter um acompanhamento médico.''Fica muito mais caro para o sistema de saúde o tratamento do que ficaria a prevenção, com a castração e a desvermifugação desses cães.''
De acordo com o coordenador da ONG, cada integrante do grupo doará uma determinada quantia por mês à entidade e a cada reunião será escolhido um cão que passará por castração. ''Eu sei que é um trabalho pequeno, mas é o primeiro passo para uma possível solução para diminuição dos cães abandonados'', explica.''Uma cadela que você castra por ano representa dezenas de animais que ela não terá ao longo da vida'', completa.
O secretário municipal de Governo, Luiz Cesar Lazari, reconheceu que não existe ainda no município nenhum trabalho de assistência aos animais abandonados em Cambé e afirmou que a administração está discutindo com a população possíveis alternativas para o problema.
''O assunto ainda está em discussão e não há uma posição definida da prefeitura'', afirmou o secretário. ''Mas é preciso considerar que este não é um problema só de Cambé. Na maioria das cidades do País as pessoas têm o péssimo hábito de adquirir animais e depois abandoná-los.''
Serviço: As reuniões da ONG Animal são realizadas mensalmente na Casa Comunitária do Jardim Tarobá. Mais informações com Carlos, pelo fone (43) 3254-4517.

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