'Sem-asfalto' vive drama do pó e do barro
Lúcio Horta
De Londrina
Em períodos de longa estiagem, como viveu Londrina recentemente, o pó predomina e invade os lares e os pulmões dos moradores. Mas quando chove, a situação não melhora. O barro denso, formado pela água da chuva em contato com a terra, se espalha por todos os cantos e não deixa nada limpo. Assim é a vida dos moradores que ainda hoje são obrigados a conviver com ruas sem asfalto. Não tem saída: é roupa empoeirada no varal ou pé atolado na lama.
Já cansamos de pedir e a prefeitura já cansou de prometer. Só que até agora nada. A última notícia é que o asfalto começaria a ser construído no dia 5 de dezembro. Passou e nada. E sem asfalto é duro, tinha que ter uma solução. O desabafo é do vigia Jorge Correa, que mora há três anos no Jardim Catuaí, zona norte de Londrina, ao lado da indústria de embalagem Dixie Toga.
A casa de Correa é uma das últimas do bairro, na parte de baixo. Para pegar um ônibus urbano, ele tem que percorrer várias quadras a pé. E quando entra no ônibus, a gente fica todo sujo. Assim é também com as crianças, que precisam ir à escola. Sem contar a casa, que não pára limpa de jeito nenhum. E também o lixo: quando chove muito, o caminhão não desce até aqui e o lixo acumula, completa. E pelo tanto de gente que tem no bairro, já merecia ter asfalto.
Revaildo Carvalho, desempregado e também morador há três anos do Catuaí, é outro que critica da situação. O povo sempre reclamou mas nunca resolveram. Só fica em promessa. É difícil porque não dá para manter nada limpo, principalmente a roupa. E quando está seco, é a poeira. Tem que ficar limpando o tempo todo, diz. Ele conta que tem dois filhos e, de tempos em tempos, precisa correr atrás de médico. Deve ser problema respiratório.
Edinéia Jardim, proprietária de um açougue no começo do Catuaí, acrescenta que está cansada de ouvir reclamação de moradores por causa da falta de asfalto. É horrível mesmo, não tem como manter nada limpo. Principalmente a gente, que cuida de alimento, fica difícil. Era preciso dar um jeito.
O problema da falta de asfalto, no entanto, não é exclusivo do Catuaí. Outros bairros, como o Moradias Tibagi, na zona norte, também sofrem com o barro (na chuva) e a poeira (na estiagem). Mudei para cá em março, já pedimos asfalto, e até agora nada. Nem mesmo a pracinha, em frente de casa, que já era para estar arrumada, não tem nada. Nem asfalto nem praça, lamentou a dona de casa Rosa Ribeiro Campos, que mora na rua Antonio Molina Martins Filho, no Tibagi. Pior mesmo é a roupa. Não pára nada limpo. Quem sabe no ano que vem, que é ano de eleição e esse problema se resolve, avalia.
Para Jorge Correa, do Jardim Catuaí, se o problema não tiver solução, o jeito vai ser ir até a prefeitura e cobrar, mais uma vez, o asfalto. Promessa é dívida; e a gente não está pedindo nada de graça, vamos ajudar a pagar. Então tem que fazer logo, cobrou o vigia.Roupa empoeirada no varal ou pé atolado na lama. Faz parte do cotidiano de populações que moram em bairros ainda sem asfalto
Paulo WolfgangATÉ AGORA, NADA!Jardim Catuai, bairro da zona norte de Londrina localizado ao lado de uma grande indústria. Comunidade reivindica asfalto e reclama que pedido demora para ser atendido. A última notícia é que o asfalto começaria a ser construído no dia 5 de dezembro. Passou e nada, afirma um moradorPaulo WolfgangÉ difícil porque não dá para manter nada limpo, principalmente a roupa. E quando está seco, é a poeira Revaildo Carvalho, desempregado, do Jardim CatuaíPaulo WolfgangMudei para cá em março, já pedimos asfalto, e até agora nada. Nem mesmo a pracinha, em frente de casa, que já era para estar arrumada Rosa Ribeiro Campos, dona de casa, do Moradias TibagiPaulo WolfgangPromessa é dívida; e a gente não está pedindo nada de graça, vamos ajudar a pagar. Então tem que fazer logo Jorge Correa, morador do Jardim Catuaí





