Sem anestesistas, HU cancela cirurgias
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sábado, 27 de outubro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br>Reportagem Local 
O Hospital Universitário (HU) de Londrina tem um deficit de 12 anestesistas e isso tem resultado no cancelamento de cirurgias eletivas. Somente no mês de outubro 33 procedimentos cirúrgicos foram cancelados e devem ser remarcados para os meses de novembro e dezembro. Segundo dados do hospital, no último ano foram realizadas, em média, 471 cirurgias eletivas por mês.
De acordo com a assessoria de comunicação do HU, a instituição conta com apenas 13 anestesistas que atuam em escala. Dois profissionais estão em processo de aposentadoria e por isso não estão mais trabalhando. Um levantamento interno que está sendo feito aponta que o HU necessita de, no minímo, 25 especialistas no setor.
A aposentada Juvira Cordeiro, de 50 anos, sentiu na pele a falta de estrutura. Ela aguarda há nove anos uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a reconstrução das mamas, que foram retiradas depois da descoberta de um câncer em 2001. Na terça-feira, ela recebeu um telefonema do HU marcando a cirurgia. ''Foi uma adrenalina enorme quando recebi a notícia. Era a oportunidade para eu voltar a ter uma qualidade de vida'', comemou. No dia seguinte, Juvira foi internada, realizou todos os procedimentos e exames pré-operatórios. A cirurgia ficou marcada para quinta-feira, às 7 horas.
''Quando estava sendo transferida para a sala de cirurgia o médico me comunicou que a cirurgia estava cancelada pois não havia anestesista. O meu chão sumiu. Chorei muito. Fiquei chateada e entrei em desespero. Foi uma angústia muito grande'', relatou Juvira, que é membro do Conselho Municipal de Saúde em Londrina. A cirurgia ainda não foi remarcada.
''O HU é o maior hospital público do Norte do Paraná e é constrangedor e inadimissível esta situação. É um prejuízo muito grande para o público'', afirmou o promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares.
Ele informou que representantes do HU e das secretarias municipal de Saúde e estadual de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior serão notificiados a tomar uma atitude urgente. ''Ficamos o ano todo cobrando para que fossem contratados 70 profissionais para que a nova ala de UTI do hospital pudesse funcionar. Só agora as contratações estão acontecendo'', criticou o promotor.
O secretário municipal de Saúde, Edson de Souza, lembrou que o HU é contratado do município, que repassa R$ 3 milhões mensais de verbas do SUS ao hospital. Em Londrina há a gestão plena do sistema de saúde por parte da prefeitura.
Souza já enviou um ofício ao HU solicitando informações sobre o número de cirurgias e procedimentos cancelados e pode encaminhar uma reclamação ao Ministério Público (MP). ''O gestor não pode admitir que cirurgias agendadas sejam canceladas. Podemos até rever o repasse integral dos valores ao hospital'', explicou o secretário.
Emergências
De acordo com informações da assessoria do hospital, as cirurgias de emergência no Pronto-Socorro estão sendo realizadas normalmente.


