Com dificuldades financeiras e principalmente estruturais, um dos colégios mais antigos de Curitiba pode acabar fechando as portas. Completando mais de 50 anos de atividades, o Instituto Politécnico Estadual, corre o risco de não ter cursos para oferecer a partir do ano 2000.
Desde 1996, quando foi lançada a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o instituto não tem ingresso de novos alunos nos chamados cursos técnicos. Isso porque a lei determina que os cursos técnicos devem ter somente esta característica, sem equivalência de 2º grau, o que estaria provocando o desinteresse dos alunos.
‘‘Esse deve ser o último ano dos nossos cursos’’, explica Adolar Gonçalves dos Santos, presidente da Associação de Pais e Mestres. ‘‘As únicas escolas que ofereciam cursos técnicos eram a nossa e o Cefet. O Cefet hoje só trabalha a nível de 3º grau. E nós não temos como manter cursos técnicos’’.
Segundo Santos, antes da lei entrar em vigor, o instituto chegava a atender até 1.700 alunos, nos quatro cursos, de agrimenssura, saneamento, química e eletrotécnica. Número que hoje não ultrapassa os 350. Assim, são grandes as dificuldades de investir em laboratórios e professores. Problema que, de acordo com a APM, poderia ser resolvido facilmente se o governo do Estado tivesse cumprido uma promessa feita ainda em outubro de 98.
‘‘Eles vieram aqui e criaram um curso novo de eletrotécnica’’, conta Santos. ‘‘E prometeram criar outros cursos para preencher o espaço destes quatro que estão fechando. Falaram em química industrial, eletromecânica, construção civil e eletrônica. Só que isso acabou não acontecendo. E hoje não temos o que oferecer aos alunos a partir do próximo ano.’’
O presidente da APM explica que com a criação do curso de eletrotécnica, o governo ficou de repassar o valor de R$ 200 mil para reformas e compra de equipamentos de laboratório. O que acabou não acontecendo até agora. ‘‘O curso foi criado, mas só tem mesmo a parte teórica’’, esclarece Santos. ‘‘Não foi investido nada e, em julho, quando acabarem os módulos da aula teórica não há como continuar o curso.’’
Na próxima quarta-feira haverá uma reunião com a Secretaria de Estado da Educação, com professores e alunos do instituto. A idéia é apresentar ao governo a proposta de um sistema de convênio com outras instituições de ensino. ‘‘Se der certo poderemos ter as aulas práticas em laboratórios já montados de outros colégios’’, diz Santos.
Quanto as verbas prometidas pelo governo ao curso de eletrotécnica, a Secretaria da Educação informa que elas fazem parte do PROEM, que foi reavaliado no primeiro trimestre deste ano.

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