Os alunos carentes que não conseguiram vaga na Casa do Estudante da Universidade Estadual de Londrina UEL acamparam ontem ao lado da reitoria. Eles pretendem percorrer todo o campus com o acampamento até que seja dada uma resposta positiva para o problema de alojamento. Doze estudantes, apesar de terem sido selecionados como carentes, não puderam ficar na Casa por falta de espaço.
Oito estão alojados no local provisoriamente, mas em cerca de dez dias terão que deixar a casa. Seis estudantes dividem o espaço da sala de estudos, único local de uso comum no prédio. Os outros dois dividem quartos com os residentes. Josana Souza Carlos, estudante de biblioteconomia, contou que quase voltou para Ourinhos (SP) quando soube que não tinha sido aprovada na seleção. ''Agora estou um pouco mais calma e tenho esperança de poder ficar aqui.'' Josana está dividindo um quarto com mais quatro pessoas e não pretende sair da Casa.
Antes de acampar os estudantes estiveram reunidos com o vice-reitor Eduardo Di Mauro e protocolaram um pedido para que seja feita uma reunião extraordinária do Conselho de Administração (CA) para buscar uma solução. Segundo ele, a reitoria vem tentando uma solução para o caso, mas os estudantes correm o risco de não poder fazer seus cursos. ''Vamos fazer tudo o que for possível para resolver o problema, mas não posso garantir que os estudantes terão moradia.''
Uma proposta dos estudantes seria que a UEL alugasse um imóvel onde eles pudessem ficar. Di Mauro disse que isso nunca foi feito antes, mas que qualquer decisão terá que passar pelo CA. Uma reunião extraordinária do órgão será agendada para o início da próxima semana.
Wellington Salomão, estudante de ciências contábeis, escolhido como porta-voz do grupo, disse que a estratégia será tentar sensibilizar os diretores de centro. ''Desde o começo a reitoria se mostrou receptiva e está buscando soluções. Mas nós precisamos de um alojamento imediatamente e, no futuro, uma solução definitiva para o problema de moradia estudantil.''
Os estudantes fizeram questão de ressaltar que o problema é mais abrangente e envolve a questão do orçamento da UEL que passa pelo governo do Estado. ''Nós sabemos que a questão não é só da universidade e queremos uma solução também por parte do governo.''
A vice-reitoria enviou um relato que conta desde como é feita a seleção para até o fato dos estudantes não terem esperado qualquer manifestação sobre as solicitações apresentadas e terem acampado logo após a reunião de ontem.

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