Sem água, sem luz, sem perspectiva
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quinta-feira, 06 de julho de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Parte das casas e barracos não é regularizada. A ligação de energia elétrica é feita irregularmente, por meio de ''gatos.'' O abastecimento de água para a maioria dos moradores é coletivo, cortado sem aviso prévio e não tem frequência pré-determinada. Parecia que a situação de um grupo de moradores do Jardim União da Vitória V (Zona Sul de Londrina) não poderia piorar. Mas piorou.
Funcionários da Companhia Paranaense de Energia (Copel) retiraram essa semana os relógios de luz e desligaram as ligações clandestinas. A medida deixou a vizinhança preocupada. Donas-de-casa não sabiam como fariam para cozinhar, lavar roupa ou dar banho nos filhos sem energia elétrica.
A empregada doméstica Marleide Aparecida de Oliveira, 30 anos, estava ainda mais apreensiva. A filha dela Camile Vitória, de 2 anos, não teria como fazer o tratamento da bronquite crônica alérgica com o aparelho de inalação. ''Vou falar com a Copel e, se não conseguir resolver, vou religar a luz'', garantiu. O problema dela são as faturas atrasadas, que não foram pagas pelo inquilino que ocupou o imóvel.
A assessoria de imprensa da empresa informou que os consumidores podem fazer reclamações e denúncias junto à Ouvidoria ou em qualquer agência da Copel. Acompanhada de vizinhas, Marleide comentou que pretende buscar uma solução junto à prefeitura. A Copel informou ainda que até ontem 50 pessoas haviam procurado a empresa para fazer levantamento do valor devido.
Enquanto não obtém condições razoáveis de moradia, a vizinhança improvisa. ''Vou comprar velas para iluminar à noite. Isso aqui vai ficar parecendo um cemitério'', comentou Solange Ferreira Mafra, 35.
Com os comprovantes na mão, Ana Paula Quintiliano, 19, cobrava a instalação do cavelete de água na casa dela, na Rua dos Médicos. Segundo a moradora, o pedido feito em novembro ainda não teve resposta da Sanepar. A empresa informou que a rede seria concluída ainda ontem na Rua dos Médicos e que as ligações deverão ser feitas em até 10 dias.
As moradoras consultadas pela reportagem disseram que não estão na lista de espera da Cohab-Ld. Alegam falta de informação. A diretoria da empresa, porém, garante que todos os funcionários passam as orientações necessárias para que as pessoas façam o cadastro na Companhia.
Os problemas dos moradores da localidade, então, transformam-se num círculo vicioso. Sem a regularização da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), não obtêm autorização para instalação de água e luz. E sem a inscrição na lista da Companhia, não conseguirão imóveis regularizados. Para piorar as coisas, a legislação municipal impede a regularização de casas em áreas de ''declividade acentuada'', como é o caso dessa área no Jardim União da Vitória V.
Serviço
O cadastro na Cohab pode ser feito na Rua Pernambuco 1.002, na Área Central. O telefone é 3321-2233.
O telefone da Ouvidoria da Copel é 0800-647-0606.


