Sem água, família pede ajuda para pagar dívida com Sanepar
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quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Ao mesmo tempo que o tapete bege pendurado no portão esconde o cano sem o relógio da Sanepar, na frente da casa, ele também expõe o constrangimento e a vergonha dos moradores que tiveram o abastecimento de água cortado por falta de pagamento. ''Está muito difícil. Meu marido está desempregado'', disse a dona de casa Sônia Luiz Domingues, que mora na Rua Luzia Costa e Silva, no Conjunto Alexandre Urbanas, em Londrina.
Somada a uma multa de R$ 105,00, a dívida total com a companhia não ultrapassa os R$ 400,00. Sônia e o marido, o pedreiro Francisco Pedro da Rosa, estão hoje entre os 10 mil usuários inadimplentes em negociação com a Sanepar.
Desde a semana passada, quando o abastecimento foi cortado, a família apela para a vizinha Fátima Carvalho Bason, que cede água de mangueira por cima do muro. ®MDNM¯''Tenho que fazer comida e lavar as fraldas do bebê'', justificou. Sônia tem quatro filhos pequenos o mais velho tem seis anos e o caçula, apenas 6 meses de idade. Os parentes e os vizinhos estão penalizados com a situação e apelam para a companhia. ''Não queremos isenção de pagamento, mas pedimos que a Sanepar seja mais flexível'', argumentou a irmã de Sônia, Cidália Domingues Ugolini.
Por outro lado, o gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, afirmou ontem que ''a companhia está aberta à renegociação''. Porém, disse que não poderia abrir mão do pagamento à vista da multa de R$ 105,00 pelo fato de eles terem feito ligação direta após o corte do abastecimento, na semana passada. ''Antes de violarem a prestação de serviço, deveriam ter nos procurado'', comentou.
Em relação à dívida, segundo Kishima, o casal já havia feito parcelamento por duas vezes, uma em 3 de setembro do ano passado, e outra este ano, em 15 de abril. Mesmo assim, garantiu o gerente, que ''ainda é possível renegociá-la''. Sem os R$ 105,00 para pagarem a multa, Sônia coloca o problema nas mãos de Deus. ''Não temos vergonha em dizer o seu nome. Somente Ele poderá nos dar a luz'', concluiu.


