Sem acordo, ambulantes e CMTU prometem agir
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segunda-feira, 18 de julho de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Os ambulantes que trabalham no Calçadão e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) não chegaram a um acordo ontem, e hoje ambos os lados prometem agir, cada um a seu modo. Durante reunião realizada ontem à tarde, o presidente da CMTU, Gabriel Ribeiro de Campos, afirmou que o município vai continuar agindo para fazer valer o Código de Posturas, que proíbe o comércio ambulante irregular em áreas públicas. ''Vamos fiscalizar, e se for necessário, vamos retirá-los. Os que insistirem, terão as mercadorias apreendidas, como prevê a lei. Mas estamos pedindo para que não voltem e evitem o confronto'', disse.
Segundo Campos, o município não pode fazer outro investimento, como foi feito em 2003, para montar novo camelódromo. ''Esta possibilidade não existe. Estamos propondo que eles próprios busquem um encaminhamento para regularizar a situação. Vamos apoiá-los no que for possível'', falou, lembrando que os ambulantes já estão organizados em uma OONG, o que pode facilitar.
Por sua vez, os cerca de 20 ambulantes que compareceram à CMTU se mostraram decepcionados com a reunião. ''Tínhamos esperança de encontrar uma saída, mas infelizmente não chegamos a uma solução. Estamos sem condições de trabalhar, mas parados não podemos ficar. Se tiver fiscalização, a gente vai se defender'', disse o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Londrina, Irineu Garcia. Outro ambulante, Emerson Lafayete Dias Soares, estava mais exaltado e prometeu voltar ontem mesmo para o Calçadão. ''Se apreenderem nossa mercadoria, vai ter quebradeira'', garantiu.
Para Soares, uma fiscalização mais rigorosa, com a participação até da Polícia Militar, Polícia Federal e Receita Federal, como ameaça a CMTU, pode desencadear um confronto. ''Eles estão tirando o nosso direito de trabalhar. Dizem que vão colocar a Polícia Militar, a Polícia Civil. Acho que eles têm que se preocupar com traficantes e não com a gente. Nós somos frutos dessa sociedade que não tem emprego. O que gera isso aqui é o desemprego'', afirmou, acrescentando que cerca de 80 famílias dependem do comércio ambulante no Calçadão. Soares tem três filhos menores de idade.
Vendedor de capas de celular, Ermenegildo Carvalho, 59 anos, tenta driblar o desemprego há cinco anos, através do comércio ambulante. ''É duro você chegar em casa e a sua filha te pedir uma moeda e não ter nada para lhe dar. Nós estamos dispostos até a pagar um imposto mensal ou anual para trabalhar'', disse Carvalho.
Na manhã de ontem, a maioria dos ambulantes se concentrou em frente às lojas Pernambucanas, no Calcadão. Alguns, com medo da fiscalização e uma possível apreensão de produtos, mantiveram as mercadorias em sacolas. (Colaborou Silvana Leão)


