Sem acompanhamento, passeio torna-se perigo
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sexta-feira, 25 de março de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Uma das maiores discussões entre os proprietários de gatos é deixá-los sair ou não para passear pelas redondezas. Os favoráveis alegam que os animais precisam conviver com outros, fazer exercício e seria maldade deixá-los presos. Os contrários alegam que uma simples voltinha pode sair caro para o dono e para o bichano. Atropelamento, doenças, brigas são alguns dos perigos que podem fazer a conta do veterinário ficar bem cara, além do sofrimento do animal.
A dona de casa Aparecida de Almeida Silva e a filha Maria Izabel da Silva convivem com cinco gatos e quatro cães, todos com acesso à rua. ''As cachorras saem durante o dia, mas sempre sob nossa supervisão. Os gatos têm trânsito livre'', confessa Cida.
Apesar da rua onde moram ser tranquila, não muito longe dali o trânsito é intenso e as cachorras às vezes correm para a vizinhança. ''A gente tem medo de atropelamento, mas acho que os animais precisam dessa convivência'', justifica Isabel. Segundo ela, um dos gatos já voltou para casa com a orelha machucada por causa de briga. ''O Totó (gato) saiu outro dia, levou um susto com alguma coisa que não vi e agora não quer mais sair de casa'', conta.
Elas dizem saber das doenças a que os animais estão sujeitos, mas mesmo assim os deixam passear. Três dos gatos já foram castrados e agora falta um casal, que já está na fila. As vacinas não são dadas, mas pretendem fazer a imunização contra a raiva. ''Com a castração acho que uma parte das doenças já será evitada e não vão aparecer montes de gatinhos que não teremos como criar'', justifica Isabel.
Traumas físicos
Professora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Patrícia Mendes Pereira alerta que deixar animais soltos na rua é extremamente perigoso, pelo risco que eles podem oferecer a outras pessoas e aos acidentes que podem sofrer. ''A maioria dos casos que atendemos no Hospital Veterinário é de animais que sofreram traumas por atropelamento, principalmente animais mais velhos ou filhotes.''
A veterinária alerta que alguns cães também são agredidos. Geralmente porque são de grande porte, as pessoas ficam com medo de serem mordidas e acabam batendo no animal. Entre os gatos, um grande problema é a briga, principalmente os machos quando estão disputando território ou alguma fêmea. ''Eles voltam depois de dois ou três dias, machucados e magros.''
Mesmo nos passeios de coleira os cães podem se contaminar, por isso é fundamental a vacinação. Patrícia alerta que o único profissional apto a aplicar as doses e a fazer um plano de vacinação é o médico veterinário. ''Apenas ele vai poder fazer um exame minucioso no animal e saber se pode ou não receber a vacina. Se o pet já estiver com a saúde comprometida, a vacina pode não fazer efeito e o animal ficará doente depois'', alerta. Coleiras ou remédios contra pulgas e carrapatos ajudam a afastar risco de doenças.


