Descobrir que o filho está com câncer, esperar por dias para conseguir uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital, viajar por mais de três horas até lá e, na vigília do filho, passar dois dias sem conseguir tomar um banho. Na Semana Santa, a bóia-fria Eliane Santos, 22 anos, passou por uma verdadeira via crucis. O domingo de Páscoa dela não significou ressurreição.
Pelo contrário: seu filho de dois anos continua na UTI e deve passar por uma cirurgia nesta semana. ''Nem parece que é Páscoa. Peço para Deus dar saúde a ele, porque o médico não deu esperança. Disse que o câncer tomou conta da cabeça do meu menino.''
Ela conta que o garoto nasceu com um caroço no pescoço, e o médico orientou a procurar ajuda caso esse caroço crescesse. ''O caroço não cresceu, mas de uma hora para outra meu filho ficou com as pernas tremendo, não conseguia mais andar, falar nem comer. Isso foi há pouco mais de duas semanas'', revela, sem conseguir segurar as lágrimas. Até então, o menino teve um desenvolvimento normal, mas reclamava de dores de cabeça muito fortes.
Elaine diz que veio sozinha a Londrina porque o marido teve que ficar cuidando da outra filha do casal, de apenas 5 anos. ''Moro de favor em um barraco na zona rural, e, pra pegar um ônibus pra Santa Maria do Oeste, é preciso andar 9Km'', informa, acrescentando que tanto ela quanto o marido trabalham ''por dia''. ''A gente recebe R$ 10 por dia, mas tem semana que não aparece nada. Falta muita coisa. Agora, então, vou precisar comprar remédios, e não tenho condições'', lastima.
Seu filho está internado desde quinta-feira no Hospital Evangélico (HE). Eliane recebe alimentação do hospital, mas os acompanhantes de pacientes na UTI têm que dormir em poltronas reclináveis. ''Não podemos disponibilizar um quarto apenas para ela'', explica Alda Mastelaro Hayashi, gestora operacional do Evangélico. Alda esclarece que, para casos como esse, o hospital dispõe de um serviço de assistência social, que encontra abrigo e identifica outras necessidades dos acompanhantes.
No caso de Eliane, o feriado prolongado fez com que ela passasse quatro noites tendo que dormir em poltronas ou sofás. ''O banho eu só consegui depois de insistir bastante com as enfermeiras, que encontraram um banheiro para mim só no sábado'', conta a mãe. Segundo a gestora do hospital, Eliane deve se encontrar hoje com a assistente social.

Serviço:
Quem quiser ajudar, pode procurar Elaine no HE, pelo (43) 3378-1000.

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