Trabalhadores da Indústria Têxtil Carambeí paralisaram ontem de manhã as atividades e só retornam ao trabalho quando tiverem uma definição sobre o pagamento da primeira parcela do 13º salário, que deveria ser efetuado até o último dia 30. Os funcionários têm reclamações também sobre o prêmio-produtividade, que segundo eles não é repassado há três meses, e sobre o vale-transporte, que não é distribuído regularmente.
Ontem pela manhã, cerca de 80% dos 160 trabalhadores da indústria, conforme avaliação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem, decidiram permanecer na porta da fábrica. Solicitaram a presença do sindicato e disseram que só voltam a trabalhar quando a direção assumir o compromisso de pagar o que é devido. ‘‘Nem passe para ir embora a gente tem’’, disse Genivaldo de Macedo, que trabalha há mais de sete anos na indústria e recebe R$ 160,00 de salário.
O presidente do sindicato da categoria, Carlos Roberto Duarte, lembra que o problema da Carambeí é antigo e que todos os meses tem comunicado o Ministério do Trabalho sobre o atraso no pagamento dos salários. ‘‘O pessoal nunca recebe no quinto dia útil do mês. O atraso chega a ser de 20 dias.’’ De acordo com Duarte, a Carambeí já foi autuada várias vezes por esse motivo, além de ser multada também por não efetuar o depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos empregados.
Procurado pela Folha, o gerente da Carambeí, Cláudio Anizelli, disse que a greve teve a adesão de 50% dos empregados e que é ilegal. ‘‘Não fomos comunicados pelos trabalhadores nem pelo sindicato.’’ Ele garantiu que a empresa vai efetuar até o final deste mês o pagamento das verbas que estão em atraso. ‘‘Dentro do mês vamos solucionar tudo.’’ Segundo Anizelli, ‘‘a Carambeí passa por um processo de adequação e enfrenta dificuldades, como todas a indústrias têxteis do País’’.
Em maio, os trabalhadores demitidos da indústria têxtil Carambeí fizeram uma manifestação para reclamar do atraso no pagamento de verbas rescisórias. A indústria não havia pago a terceira parcela da rescisão de 82 pessoas, que deveria ter sido acertada em abril. As demissões aconteceram em janeiro e fevereiro. Os 125 trabalhadores que continuavam na empresa não receberam o salário de abril. O processo de demissões na Carambeí teve início em setembro do ano passado. Dos 500 funcionários que a indústria tinha, restaram 160.

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