Selva atrai moradores em busca de sossego
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sexta-feira, 23 de maio de 2003
Thiago Mossini<BR>Reportagem Local 
Cantos de galos e pássaros diversos; mugidos de bois e vacas. Esses são os principais sons que fazem parte da rotina dos cerca de três mil moradores do Patrimônio Selva, localizado a 14 km ao sul do centro de Londrina. Ao contrário das buzinas, propagandas e toda a poluição sonora das grandes cidades, o local é tranqüilo e silencioso, ideal para quem quer fugir do ritmo urbano. É um lugarzinho bacana, de gente humilde, avalia a aposentada Laíde Paula de Souza, 65 anos, que saiu de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) e foi morar no Selva há cinco anos.
Violência praticamente não existe por lá. Devido a toda essa tranqüilidade, muita gente está trocando a cidade pelo patrimônio. Estão fazendo dois loteamentos aqui, mas ainda faltam terrenos para construir mais casas. A procura é grande, afirma o presidente da Associação dos Moradores do Patrimônio Selva, Joaquim Rocha Melquíades, 53 anos. Ele nasceu no bairro e não pensa em se mudar de lá. É um cantinho do céu, compara.
O patrimônio Selva existe há aproximadamente 60 anos. A economia é basicamente agropecuária, com ênfase para a produção de leite. Mas algumas pessoas trabalham em Londrina, principalmente as mulheres. O bairro tem um Posto de Saúde, uma escola municipal até a 8ª série, uma mercearia e um local onde estão instaladas caixas postais para recebimento de correspondência dos moradores. Cada família possui uma. Estamos pedindo para os Correios instalarem aqui um posto de coleta, mas por enquanto não fomos atendidos. Quando alguém precisa enviar alguma carta tem que ir até Londrina, reclama Melquíades.
O coordenador de atendimento e vendas dos Correios em Londrina, Cláudio Pereira da Silva, diz que existe a possibilidade de abrir uma agência no patrimônio, mas depende de uma parceria com a prefeitura. Os Correios forneceriam os produtos, com desconto, e a prefeitura disponibilizaria o prédio e um funcionário. A agência pode funcionar no mesmo imóvel de outros serviços, como no posto de saúde ou na escola, explica.
Uma das principais reivindicações da associação é a construção de um muro ou alambrado ao redor do Posto de Saúde e a melhoria no prédio. Segundo os moradores, a falta de um muro traz alguns incômodos. Eles afirmam que cachorros entram no local, atrapalhando os trabalhos. Esses dias um cão entrou e deitou no meio do corredor, perto de onde a enfermeira fazia o atendimento. Ela foi tocá-lo dali e ele avançou, conta Melquíades. Com relação ao atendimento, os moradores afirmam não terem muito do que reclamar. Tem remédio na farmácia, médicos e somos bem atendidos, comenta.
Outras pessoas apontam a necessidade urgente de um serviço essencial e que o Posto de Saúde ainda não possui. Precisamos de atendimento odontológico para as pessoas que não têm condições de fazer um tratamento pago, afirma a auxiliar de enfermagem Rosimeire Garcia da Silva, 35 anos, que mora há 19 no patrimônio e trabalha há 16 anos no Posto de Saúde. Ela acredita que mais importante do que cercar o prédio, seria a ampliação do local. O alambrado ou muro resolveria apenas parte do problema. Não adianta cercar sem termos as condições físicas ideais para o atendimento.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, está prevista no cronograma de 2004 da Secretaria Municipal de Saúde a ampliação em 100 metros quadrados e reforma do prédio, além da construção do muro e melhorias no telhado.


