O pecuarista e imobiliarista de Apucarana, Vicente Junqueira de Castro, 76 anos, confessa que sua paixão pelos selos começou com uma pequena estrepolia de criança. ''Minha história não é muito honesta. Vivia em Santos (SP) e com sete anos fui visitar um senhor que tinha caixas de selos. Roubei um e nunca mais parei.'' Quase 70 anos depois, ele ainda se conserva apaixonado pelo ''hobby'' e ontem foi um dos 40 participantes do Fórum de Filatelia realizado pelos Correios no Hotel Bourbon, em Londrina, cujo propósito é incentivar a continuidade da filatelia.
Castro ainda guarda com carinho especial o seu primeiro selo mas sua coleção atual é incontável. ''O segredo é gostar'', ensina. O problema é que ele ainda não definiu um guardião na família para suas relíquias. ''Todo mundo quer a coleção mas ninguém quer trabalhar nela'', aponta.
Outro que está preocupado com a continuidade do hobby da filatelia é o cirurgião dentista aposentado Carlos Ricardo Caramori, 70 anos, colecionador há 60 anos. Com 10 anos, ele recebeu dos avós e bisavós uma coleção praticamente completa de selos do Império e edições comemorativas desde 1900. ''Na minha época não tinha cursinho. Tudo que aprendi de conhecimentos gerais foi através da pesquisa dos selos'', valoriza. Ele também não tem idéia do tamanho de sua coleção mas afirma que a batalha entre os filhos e netos já começou. ''Estão todos na disputa e vai dar trabalho para decidir'', avisa.
E foi justamente a intenção de manter a filatelia ativa que motivou os Correios a realizar, desde o ano passado, fóruns sobre o tema em todo o País. Segundo o coordenador administrativo dos Correios em Londrina, Olívio Vilas Boas, o hobby ''está precisando ser aquecido''. Ele argumenta que o selo tem um caráter educacional muito forte que precisa ser aproveitado pelas escolas, sobretudo no ensino fundamental, através de projetos que valorizem o aspecto cultural desses pequenos pedaços de papéis que atraem a atenção de tanta gente.
Vilas Boas garante que ''para se tornar um filatelista basta ser, no mínimo, curioso''. O primeiro passo é entrar em contato com alguém que já coleciona para tomar as primeiras lições de como iniciar uma coleção. ''Para otimizar os custos, é bom ter em mente um tema'', continua. Outro ponto fundamental é não ter ansiedade para colecionar. ''Como é um hobby, não precisa ter pressa'', conclui.

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