O presidente da CMTU, Wilson Sella, afirmou ontem que considera estranha a iniciativa da ONG Canaã, que representa os vendedores do novo Camelódromo, de preparar um cadastro dos 316 comerciantes do local. ''Já temos uma lista, da época de quando foi feito o sorteio dos boxes (no segundo semestre de 2002). Se houver alguma diferença entre nossa lista e a dos camelôs, vamos suprimir a deles.''
O presidente da ONG Canaã, Rogério Gonsales, explica que o levantamento será realizado para que os alvarás sejam emitidos. ''Eles (os alvarás) eram uma condição para a mudança. Pelo que eu sei, a CMTU tem uma listagem do pessoal que trabalhava na rua, não um cadastro'', argumenta. Diferentemente do que Gonsales declarou à Folha na semana passada, o levantamento pronto até o fim do mês.
''Existem vários fatores burocráticos, e eles não permitirão que a lista seja completada tão rapidamente assim. Como, por exemplo, nem todos os camelôs já estão com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).''
E os comentários de que existe venda de boxes no Camelódromo se tornam mais frequentes. ''Não temos como acusar ninguém, mas não acredito em Papai Noel. Pode estar acontecendo de alguns vendedores que desistiram de seus boxes estarem procurando conseguir algum ressarcimento financeiro. Mas não sei de nada nem posso comprovar'', disse Gonsales. Ele explicou que a listagem preparada pela ONG Canaã servirá para a CMTU ''fiscalizar melhor'' o Shopping Popular.
''Os camelôs precisam dos alvarás para estar em dia com as receitas Estadual e Federal. O Camelódromo foi feito com dinheiro público, serve para atender aos comerciantes que estão instalados lá e não para negócios entre eles. A venda não será tolerada'', afirmou Sella.

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