Mais uma manifestação de estudantes contra o reajuste da tarifa de ônibus causou muita confusão ontem no Terminal Urbano de Transporte Coletivo de Londrina. Tanto que o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, foi para o local negociar com os mais de 100 adolescentes que bloqueavam a saída dos ônibus. Havia fila de ônibus parado dentro e fora do Terminal.
A manifestação começou perto das 12h30 e seguiu até 13h20. Como nos dias anteriores, os alunos dos colégios Vicente Rijo, Hugo Simas e Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) se reuniram no final da aula e formaram um ''arrastão'' até o Terminal.
Eles entraram sem pagar, ocuparam as passarelas e bloquearam a saída dos veículos no horário de maior movimento. ''Estas manifestações demonstram a falta de liderança e consciência dos jovens. Estamos tentando debater o assunto nas escolas enquanto eles dificultam a vida de quem precisa usar os ônibus para trabalhar'', criticou Sella, enquanto tentava negociar o fim do bloqueio.
Apesar da confusão, não houve registro de apreensões ou agressões. O presidente da CMTU convenceu os estudantes, prometendo que iria apresentar as planilhas que justificariam o reajuste da passagem no IEEL hoje, às 10 horas.
Durante as duas horas que antecederam o protesto, Sella participou de um encontro com estudantes no Colégio Estadual Vicente Rijo, onde cerca de 70 estudantes acompanharam as explicações dele, do gerente-geral da empresa Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), Gildalmo de Mendonça, e do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva.
Os três apresentaram números mostrando que, entre 21 municípios de porte médio pesquisadas no Brasil, Londrina seria a que teria demorado mais tempo para reajustar o preço da tarifa. Também foram apresentados percentuais de usuários que utilizam o transporte urbano. ''Entre 62% e 64% deles ganham o mínimo e fazem uso do vale-transporte, que é cedido pelas empresas a um custo de 6% do salário. Isso quer dizer que se a tarifa for de R$ 1,00 ou R$ 2,00, a maioria vai ter os mesmos R$ 14,40 descontados do pagamento'', calculou Sella.
Silva e Mendonça estão preocupados com a possibilidade de a Justiça determinar a redução de preço da tarifa, já que o aumento salarial negociado pela categoria (18,5%) seria repassado a partir do mês que vem. ''Sugerimos que a tarifa seja mantida e que a planilha seja discutida com a comunidade durante os próximos meses. Caso haja mudança no valor, podemos perder o reajuste'', disse o presidente do Sinttrol. ''Se a Justiça definir mudanças, não quer dizer que não aumentaremos os salários. Significa apenas que voltaremos à mesa de negociações'', tentou tranquilizar Mendonça.

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