Seis presos fogem de delegacia na RMC
MANDIRITUBA
Seis presos fogem de delegacia na RMC
Seis presos - quatro assaltantes, um homicida e um menor acusado de furto - fugiram da delegacia de Mandirituba, Região Metropolitana de Curitiba, anteontem à noite, três horas depois que o assistente de segurança Manoel Juvenal da Cruz tomou posse. A fuga aconteceu por volta das 21 horas, depois que o único plantonista acompanhou o menor ao banheiro. Ao voltar ao corredor que dá acesso às celas, o plantonista foi rendido pelos presos, que haviam saído dos cubículos. Além de fugir, os detentos levaram uma escopeta e um revólver da delegacia.
Pivô de uma disputa política entre o deputado Geraldo Cartário (PL), responsável por sua nomeação, e o prefeito da cidade, Luiz Carlos Chamin Claudino (PPB), Cruz acredita que ter sido vítima de uma armação. Para ele, os presos foram liberados de forma proposital, para desmoralizá-lo perante a opinião pública. O assistente dispara contra o prefeito e o ex-delegado calça-curta Lourival José Francisco, seu antecessor. Com certeza houve armação, só que não posso provar. Eles não queriam a gente como delegado, afirmou.
Apesar de considerar a acusação absurda, o antigo titular da delegacia também acha que os presos foram soltos propositalmente. Não havia como eles escapar. Eles foram soltos por alguém, disse. Conforme Lourival, a delegacia era extremamente segura e o atual delegado conferiu a porta das celas antes de assumir o cargo, às 18 horas. A incompetência dele não dá direito a se defender com a acusação de armação.
A disputa entre os dois assistentes de segurança é reflexo da guerra política travada na nomeação do delegado calça curta. Um disputa que engloba o alto comando do governo estadual. O prefeito de Mandirituba acusa o chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda, de ter trocado a indicação do assistente pelo voto do deputado Cartário na Assembléia Legislativa. O Pretextato vendeu a segurança da população da nossa cidade em troca do voto do deputado na Assembléia, afirmou.
Mas o prefeito deu o troco. Retirou os sete funcionários da Prefeitura que trabalhavam no Fórum e os oito que faziam a delegacia funcionar. Ontem apenas o delegado, o escrivão e um PM aposentado faziam a segurança dos sete presos que não quiseram fugir e registravam as queixas da população.
O impasse em Mandirituba começou, na verdade, por causa da exoneração pelo governo do Estado de todos os cerca de 200 assistentes de segurança do Paraná no final do ano passado. O delegado-geral, Newton Rocha, chegou a afirmar que a figura do calça curta estava extinta. Meses depois, passou a renomear os assistentes, mudando-os de local. A nomeação é, de modo geral, feita pelo deputado que detém o poder na região. Caso de Cartário em Mandirituba.
O chefe da Casa Civil e o deputado foram procurados pela Folha, mas não foram encontrados. A reportagem também procurou em vão, por quatro vezes, o Secretário de Estado da Segurança, Cândido Martins de Oliveria.(J.A.)





