Seis policiais civis foram presos este ano
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Desde o início desde ano, seis policiais civis de Londrina foram presos pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) por crimes como extorsão, desvio e porte ilegal de armas, corrupção passiva, facilitação de fuga de presos e concussão (extorsão praticada por funcionários públicos). O último caso envolvendo policiais foi registrado na segunda-feira, quando o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, denunciou à PIC dois investigadores da Divisão de Furtos e Roubos que teriam extorquido uma comerciante. Um deles, Genivaldo Alves de Almeida, foi preso em flagrante, e o outro, Adriano Rogério Peres, conseguiu fugir.
Os números assustam, mas segundo André os crimes envolvendo policiais sempre existiram. ''Antes estes casos eram apurados pela Corregedoria da Polícia Civil, que, por questão de sigilo, não os trazia a público. É claro, porém, que todo tipo de crime é preocupante e deve ser apurado, como vem sendo feito'', afirmou o delegado-chefe da 10º SDP. Ele disse não poder divulgar o efetivo de policiais civis existente hoje em Londrina.
Os primeiros casos este ano são de dois policiais detidos por suspeita de concussão. As investigações apontaram que os dois teriam exigido R$ 700,00 de um microempresário da cidade para devolverem equipamentos que teriam sido apreendidos no final de dezembro do ano passado.
No mês seguinte, ambos teriam se envolvido com um fuga de presos do distrito. Pela mesma acusação, também foram presos mais dois policiais. No mês de maio, um investigador foi indiciado pelo crime de peculato (furto praticado por funcionário público), depois que desapareceram do 3º DP (Zona Oeste) 47 armas de diversos calibres.
Ontem o advogado de Adriano Peres, Marco Antonio Busto de Souza, informou que o seu cliente não fugiu, mas que simplesmente se retirou do local para se proteger, quando percebeu que poderia ter ''uma armação'' contra ele no local. Segundo o advogado, Peres não percebeu a presença de promotores. ''O Adriano estava investigando informações que recebeu de colegas de Belo Horizonte, de que uma comerciante estaria cometendo estelionato, mas não havia nada de oficial, por isso a chefia da 10 SDP não havia sido informada. Eles estavam tentando ganhar a confiança da comerciante para obter as informações, o que é comum em investigações'', disse o advogado. Ele informou que o seu cliente poderá se apresentar ainda esta semana.
Para o coordenador da PIC, promotor Leonir Batisti, o número de policiais civis envolvidos com crimes sem contar os integrantes das polícias Militar e Rodoviária também acusados de participação em delitos mostra que ''aparelhos do Estado estão viciados''. ''É preciso boa-vontade dos órgãos competentes para combater este estado de coisas. Quando não há uma resistência firme, os corruptos são estimulados a agir.''


