Londrina – A Central de Operações da Polícia Militar em Londrina recebeu 44.347 chamadas no mês de março. Deste total, apenas 1.634 casos necessitavam de atendimento e geraram boletins de ocorrência. A grande maioria das ligações corresponde a trotes (6.347) e ligações com brincadeiras feitas aos atendentes (15.522). Há também pedidos de informações e até momentos em que a pessoa procura apenas alguém para desabafar.
Casos de ligações indevidas aos serviços públicos voltaram a ser destaque nesta semana, após uma chamada registrada no telefone 190, que mobilizou várias equipes da PM e até o helicóptero do Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer). Uma mulher denunciou aos atendentes que uma senhora havia abandonado um recém-nascido em um matagal do Jardim Planalto, na zona norte.
O piloto do Graer envolvido na operação, capitão Márcio Valim de Souza, contou que o helicóptero sobrevoou a área por 39 minutos, na tentativa de localizar o bebê. "A única informação que a gente tinha era que a criança estava em uma manta cor-de-rosa. Depois de sobrevoar a área, pensamos que o barulho do helicóptero também poderia atrapalhar as outras equipes e que eles não iriam ouvir o choro da criança", explicou.
Segundo o aspirante da 4ª Cia da Polícia Militar, Fernando Henrique Yoshimine, a operação durou, aproximadamente, duas horas. "Nós ligamos para a mulher que fez a denúncia e ela repassou novas informações sobre o caso. Conforme o tempo foi passando, rastreamos o número do celular e conseguimos identificar o nome e o endereço. A mulher mora em frente ao terreno e estava acompanhando toda a movimentação da polícia. Era trote", destacou. Ela foi presa e encaminhada à delegacia por falsa comunicação de crime. A autora do trote assinou um termo circunstanciado e será convocada para dar explicações no juizado especial.
O porta-voz do 5º Batalhão da PM, capitão Nelson Villa, ressaltou que os telefones são cadastrados em uma lista para evitar a perda de tempo ao checar ocorrências inexistentes. "O 190 é o primeiro telefone que vem a mente das pessoas. Elas ligam para denunciar ocorrências, desabafar, pedir informações sobre hospitais, perguntar a melhor rota até algum ponto específico, reclamar dos vizinhos e até nos pedem para dar ‘sustos’ em determinadas pessoas", afirmou.
O tempo perdido durante as ligações e ocorrências falsas compromete o atendimento à população. "Poderia haver algum tipo de sanção administrativa como a aplicação de uma multa, por exemplo, para quem adota esse tipo de conduta. As penas mais brandas que são aplicadas rapidamente têm mais resultado que as punições severas que não são colocadas em prática", destacou Villa.

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