Londrina - Das 11 pessoas que moravam na sede do projeto Casa Verde, na zona leste de Londrina, no ano passado, seis se recuperaram. Uma delas é Fernanda Cristina Lujete, de 30 anos, que foi entrevistada pela FOLHA há um ano. Usuária de drogas por 12 anos, ela havia perdido a guarda das duas filhas. Conseguiu se reerguer depois de fazer tratamento em uma clínica de recuperação de dependentes químicos e de uma temporada na Casa Verde.
Entrevistada novamente na semana passada, Fernanda contou que conseguiu recuperar a guarda das filhas em março deste ano e há três meses está estudando pelo Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem). "Eu também estou trabalhando em uma casa de família e assim que concluir o Projovem vou fazer o curso técnico de Enfermagem e quero seguir adiante. Depois eu vou prestar o vestibular para o curso de Enfermagem", projetou. Ela afirma que o pessoal do projeto foi como uma família para ela, tanto que continua frequentando o espaço.

ESPERANÇA
Atualmente o local abriga dez pessoas, todos eles esperançosos em ter um destino semelhante ao de Fernanda. Carlos Roberto Pereira, de 27 anos, está há seis meses por lá. Ele relata que usava todo tipo de droga: álcool, cigarro, maconha, cocaína e crack. "Isso destruiu a minha vida. Passei a não ter foco e nem ambição. Perdi vários empregos porque faltava ou não conseguia cumprir horários", resumiu.
"Quando cheguei aqui, foi um divisor de águas em minha vida. Saí das drogas e vi que tenho um dever como cidadão e como homem. Aqui aprendi a conviver com os meus próprios defeitos observando as outras pessoas que possuem uma história parecida com a minha", destacou.
Outro que tem se recuperado firmemente é Cláudio Aparecido Raimundo, de 33 anos. Ele consumiu drogas durante 17 anos de sua vida e vivia na mata do Marco Zero ou em um mocó localizado na Rua Santa Terezinha (zona leste). "Há três meses não bebo e nem uso nada. O que encontrei aqui na Casa Verde não existe em lugar algum. Até na nossa própria família não existe esse acolhimento." Fernando Borges da Silva, de 32 anos, está há 2 anos sem usar drogas. Ele conta que tomou a decisão de parar com as drogas pelo futuro de seus filhos. "Ou eram as drogas ou os meus filhos. Optei pela família." (V.O.)

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