Era uma madrugada como qualquer outra quando acordaram Maria Aparecida Deodato. ''Diretora, ameaça chover e tem um monte de gente do lado de fora da escola, o que faço?'', perguntava o zelador aflito. Sem hesitação, ela decidiu: ''Abra a escola e abrigue todo mundo. Estou indo aí''. Pais, alunos e parentes se aglomeravam à espera da hora da matrícula. ''Era uma fila interminável. Tinha gente que ficava dois ou três dias. Impressionante'', lembra a professora de matemática que há 41 anos trabalha no Colégio Estadual Dr. Willie Davids, na Vila Casoni (Zona Leste de Londrina).
Semana passada a escola completou 60 anos. ''Nessa data, o que me deixa mais feliz é comemorar que a escola, mais que paredes e materiais, tem amor'', enfatiza o atual diretor Paulo César Chaus. No colégio estudam 932 alunos em três turnos, do pré ao terceiro ano do Ensino Médio. São estudantes de bairros vizinhos, como Vila Marízia, Novo Amparo, Vila Fraternidade, além da própria Vila Casoni. Ao todo são 77 funcionários, sendo 55 professores.
''Eu nasci aqui no bairro. Estudei nessa escola, hoje sou professora aposentada e continuo por aqui. Minha vida foi o Willie Davids'', declara Maria Cecília Manhani, há 33 anos no colégio. O carinho ganha coro com Josefina Gara Portello, professora aposentada, hoje uma das responsáveis pelos mais de 16 mil títulos da biblioteca. ''O meu aniversário é junto com o da escola, no dia 1º de agosto. Estudei aqui no primário, lembro quando o prédio ainda era de madeira.''
O colégio foi construído pela prefeitura municipal e inaugurado em 1947. A princípio contava com quatro salas de aula. Com o apoio, principalmente de pais e da comunidade local, passou por diversas transformações e melhorias. ''Houve uma época em que nós tínhamos uma Associação de Pais e Mestres muito atuante. Nas reuniões não faltava um pai sequer. Chegamos a ter 350 pais reunidos em uma quarta-feira a noite. Foi uma época em que a escola cresceu muito'', lembra Deodato.
Hoje, as professoras e o diretor lamentam a falta de envolvimento dos pais. ''Infelizmente hoje os pais deixam quase toda a responsabilidade da educação para a escola'', destaca Maria Cecília. Ela afirma que para suprir esta ausência da família, os professores procuram se envolver e acompanhar o desenvolvimento dos alunos. ''Temos o benefício de ter 90% da nossa equipe de professores efetivos, o que diminui a alta rotatividade e conseguimos traçar planos a longo prazo'', afirma o Chaus.
Para o professor de educação física Márcio André Ribeiro, que há dois anos leciona no Willie Davids, o diferencial da escola também está na qualidade dos professores. ''Há problemas de estrutura e falta de equipamentos, mas aqui tem uma coisa que nunca encontrei em colégio algum: envolvimento. Muitos professores moram na comunidade e quem não mora, como eu, fica bastante tempo aqui, então já conhece todo mundo e os problemas locais.''
Para comemorar os 60 anos, um livro com um resgate histórico está sendo elaborado pelo professor de história Inácio Kikuti e seus alunos do 3º ano do Ensino Médio. ''Estamos levantando todos os dados possíveis. Já identificamos, por exemplo, que de 1947 a 2006, 75.328 alunos passaram por aqui''. O livro deve ser lançado até o final do ano. Um gincana também está sendo organizada para as comemorações do aniversário. As brincadeiras e atividades entre alunos acontecem nesta semana.

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