Sei que eles confiam no meu trabalho
Apaixonado pela profissão, Waldemar Virgílio não deixou de se dedicar a outros talentos revelados na juventude. Filho de lavradores, se mudou de Garça (SP) para Primeiro de Maio (Região Metropolitana de Londrina) aos 10 anos. "Com 12, descobri que tinha um sapateiro na cidade e fui pedir emprego porque não queria trabalhar na roça, como meus pais. O proprietário viu que eu levava jeito para o trabalho e resolveu me ensinar", lembra.
Anos mais tarde, já com 20 anos, Waldemar descobriu outro talento: o de jogador de futebol. Foi convidado a atuar como atacante no Santa Fé Esporte Clube, cidade para onde a família havia se mudado havia pouco tempo. "Como pagamento, eles montaram uma sapataria porque eu não queria deixar de trabalhar com isso", revela. Sete anos depois, uma lesão o afastou dos campos, mas não do time. A convivência com um enfermeiro da Força Expedicionária Brasileira, resultou em outro aprendizado: a técnica de massagem.
"Ele também me ensinou a fazer remédio fitoterápico. Assumi como massagista do time e, cinco anos depois, já em Londrina, fui apresentado ao técnico do Tubarão, que acabou me convidando para trabalhar no LEC, onde fiquei de 1974 a 1979 ", relata. "Era o tempo de ouro do Tubarão."
Mesmo com o emprego garantido, Waldemar fez questão de montar a sapataria na Vila Casoni, que ficava no comando de um dos seus três filhos. Chamada de Sapataria Expressa, mudou de endereço três vezes até se fixar no ponto atual. "Saí do time para ficar na sapataria. Além do endereço, também mudei o nome. Quando saí da Vila Casoni, troquei por Sapataria Moderna", declara o sapateiro, que nas horas vagas atende como massagista para tratamento de torcicolo, estiramento e contraturas. "Sou bom nisso", garante, aos risos.
E é com modéstia, mas muito orgulho das habilidades desenvolvidas ao longo de toda a vida, que Waldemar termina a entrevista admitindo que ser considerado "mão santa" pelos clientes não se limita à maca, mas ao capricho com que dá forma ao couro. "Fico muito feliz em ser procurado por artistas do circo e do teatro porque sei que eles confiam no meu trabalho. É o que sei fazer bem e é o que me dá muito prazer." (M.O.)





